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Alessandro Lopes
Arquiteto especialista em conforto ambiental e conservação de energia
 
  A Arquitetura Bioclimática no setor corporativo


A questão da conservação de energia, sobretudo da elétrica, assumiu nos últimos anos uma posição de destaque no cenário brasileiro, comparável à muitos países desenvolvidos e superior à muitos países em desenvolvimento. O ofício de projetar visando ao uso racional de energia e conforto dos usuários é amplamente discutido com as polêmicas recentes, por ocasião dos apagões e pelas políticas de redução nos gastos energéticos.

A arquitetura corporativa tem papel fundamental, tanto nos padrões estéticos, como no bem- estar e conforto dos funcionários, além de propiciar espaços racionalizados e adequados à cada atividade. Os últimos estudos na área comprovam que a eficácia está intimamente relacionada com as condições de trabalho e conforto dos usuários. As exigências humanas em termos térmicos por exemplo, relacionam-se com o funcionamento de seu organismo, produzindo calor de acordo com a atividade. A análise dos dados de ocupação, equipamentos e iluminação artificial aliados às condições de implantação dos edifícios são determinantes nas análises de consumo energético das edificações.

Não se pode falar em economia de energia elétrica sem mencionar o aproveitamento dos recursos naturais, tão fartos e disponíveis na natureza. Uma recente modalidade de ciência, denominada “arquitetura bioclimática” vem ao encontro dos anseios de projetar utilizando recursos naturais, minimizando as tecnologias ativas de produção de energia. Essa concepção, em muitos casos, está no caminho oposto ao que se pratica no mercado brasileiro, em que se estipulou como padrão comercial e estético as torres de vidro, adotadas nos Estados Unidos no início do século. O uso desenfreado e irracional dessa solução em países como o Brasil, de natureza tropical, gerou construções com desempenho térmico e lumínico inconcebíveis.

São pouco eficazes pois retêm o calor adquirido pelas incidências diretas da luz solar, represando essa energia dentro do ambiente, sendo necessária sua retirada pelos sistemas de condicionamento artificial. Da mesma forma, simplesmente negam a iluminação natural, presente em abundância em todo nosso território. Para se ter uma idéia, os níveis de iluminância médios solicitados por norma em superfícies de trabalho variam de 300 a 750 lux, dependendo da atividade. Em um dia ensolarado de verão, ao meio dia, na cidade de São Paulo, são observados 100.000 lux externamente, no plano horizontal. Devido ao grande ofuscamento causado por essas diferenças, estipulou-se como prática o uso de persianas que bloqueiam não só a visão para o exterior, mas a penetração uniforme dos raios solares. Artifícios inteligentes e baratos, amplamente divulgados nos países europeus e americanos possibilitam o uso racional dessa luz, minimizando o uso das persianas e eliminando o uso de lâmpadas durante boa parte das horas, diminuindo gastos que representam em média 25% da energia elétrica. Equipamentos de última geração como as luminárias de refletores parabólicos, reatores eletrônicos e lâmpadas eficientes também auxiliam nos resultados econômicos da edificação.

Para o desenvolvimento de um bom projeto, devem-se analisar todas as variáveis climáticas como temperaturas médias, ventos predominantes, condições de iluminância a interferências acústicas, essa última muito importante em nossas cidades atualmente.

Imprimir a um edifício características que proporcionem uma resposta ambiental conveniente não implica um acréscimo obrigatório de custo de construção, mas, ao contrário, deve resultar em redução do custo de utilização e de manutenção, além de propiciar condições ambientais internas agradáveis aos ocupantes.

Novas tecnologias também se fazem presentes e estão à disposição no mercado, como o uso de gás natural para equipamentos de ar condicionado, o uso da co-geração, em que se utiliza o calor resultante dos sistemas para alimentar outros equipamentos, o uso de energia solar para aquecimento, o uso dos ventos para produção de energia, ventilação cruzada para retirada de calor, entre outros.

No campo corporativo, existe a tendência mundial de adotar esses e outros conceitos em suas instalações, para conseguir bem- estar, maior produtividade e menores custos operacionais. Além dos efeitos econômicos, existe a grande colaboração da empresa na sociedade, uma vez que auxilia na redução do uso dos recursos naturais beneficiando as classes menos favorecidas.

 

   
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