arquitetura, engenharia e construção

a | w Athié Wohnrath Associados – Arquitetura Corporativa

2009/jul - revista Office Style n° 108 - case Morgan Stanley
Requinte e consciência ambiental
Nova sede São Paulo do Morgan Stanley alia conforto e respeito ao meio ambiente
 
Por Alexandre Negrini Turina
 











A cada ano o setor financeiro no Brasil cresce e se torna mais sofisticado, ampliando a carteira de produtos e serviços oferecidos para seus clientes. Com o Morgan Stanley, segundo maior banco de investimentos do mundo, o processo não é diferente. No início de 2007, o banco iniciou contato com a Athié Wohnrath visando um novo projeto para a sede paulistana da empresa. O edifício Faria Lima Square, tido como o mais sofisticado e tecnologicamente bem preparado da Faria Lima para receber uma instituição financeira, foi o local escolhido, num dos eixos empresariais mais valorizados de São Paulo. O conceito “square” do edifício corresponde a espaços livres no entorno e na lateral, também chamados de áreas de descompressão, com vegetação, mesas e bancos para relaxar. Sua grande área de laje locável por andar valoriza a flexibilidade, ideal para escritórios corporativos.
 
Ocupando o 6º. andar por inteiro e metade do 7º., com um total de 2200 metros quadrados, o maior desafio para os arquitetos da Athié Wohnrath foi introduzir pela primeira vez no Brasil em um projeto de arquitetura de interiores os conceitos de sustentabilidade solicitados pela Certificação LEED® CI - USGBC (Leadership in Energy and Environmental Design Commercial Interiors - United States Green Building Council), e ao mesmo tempo não perder a sofisticação e sobriedade para a instituição financeira, contemplando todos os recursos tecnológicos para facilitar e garantir segurança das operações financeiras.  A empresa contou também com o apoio do CTE – Centro de Tecnologia de Edificações, empresa responsável pela consultoria para o desenvolvimento e implantação de projetos sustentáveis. 
 
Mesmo não tendo a certificação LEED® for Core & Shell, o edifício Faria Lima Square, escolhido pelo Morgan Stanley, possui uma série de características que auxiliaram a certificação de interiores, como a localização em região bem equipada, infraestrutura moderna, sistema de ar condicionado com caixas de volume de ar variável (VAV), entre outros. O LEED®-CI possibilita o desenvolvimento de projetos sustentáveis mesmo que não se tenha controle sobre a operação e uso da edificação como um todo, caso do Banco Morgan Stanley em sua nova sede.
 
 
Sobre o projeto – “Para que um projeto de arquitetura de interiores receba a Certificação LEED  CI ele tem que contemplar medidas de construção e procedimentos que buscam o aumento de sua eficiência no uso de recursos, com foco na redução dos impactos sócio-ambientais”, afirma Sérgio Athié, um dos responsáveis.
 
Isto é feito por meio de um processo que leva em consideração o ciclo completo dos materiais envolvidos na obra e o consumo de energia elétrica que o local demandará. “Nosso trabalho teve como objetivo a busca por materiais e processos de fabricação sustentáveis; para os projetos técnicos, o foco foi a economia de recursos naturais”, completa Ivo Wohnrath, também responsável pela obra.
 O ponto de partida foi a criação de um novo conceito, projetando uma recepção que representasse a importância desta instituição no mercado no qual atua. A mescla claro/escuro é quebrada apenas pelas obras de arte posicionadas junto a uma área de estar confortável, contígua a um espaço inicial de circulação generosa, representativo da importância que a instituição possui.  Esta área está interligada a salas de reunião, facilitando o acesso dos visitantes e mantendo a privacidade das áreas de trabalho, localizadas em posições mais internalizadas. As salas de reunião, aliás, são um bom exemplo da junção entre tecnologia e sustentabilidade. Com carpete e madeira produzidos de forma sustentável, conta ainda com grandes janelas que permitem um ótimo aproveitamento da luz natural e recursos tecnológicos como telas de LCD de grande formato e equipamentos de telefonia e acesso remoto de última geração.
  
Todo o layout da nova sede foi idealizado para que os departamentos fossem distribuídos de modo a otimizar espaços e gerar sinergia entre os mesmos. Foram padronizadas a ocupação e o mobiliário com o objetivo de facilitar futuras expansões dos departamentos sem a necessidade de grandes intervenções civis, sempre obedecendo à lógica da certificação LEED CI, com espaços abertos e aproveitamento da luz natural, utilizando-se de paredes de vidro nas salas fechadas para facilitar a iluminação e o bom uso da energia elétrica.
 
As áreas de café e almoço foram projetadas com base no conforto e praticidade, nos dois andares, sempre próximo à área do staff. Nestas áreas, os tons claros se destacam, além do conceito de manter espaço livre para circulação de pessoas, o que torna o ambiente bonito, convidativo e funcional.
 
Em áreas onde as estações de trabalho são próximas, os espaços para livre circulação são ainda mais notados. Mesmo onde há armários deslizantes, os ocupantes não perdem espaço e continuam tendo um amplo campo de visão, graças às divisórias com transparência, elemento de integração espacial junto ao mobiliário.
 
Destaque também para as áreas para arquivamento e impressão de documentos, que passaram a ser centralizadas, reduzindo o desperdício e ampliando o consumo consciente de papel. Durante a execução da obra, os funcionários do Morgan Stanley participaram de apresentações sobre educação ambiental, o que facilitou o aprendizado e a adequação aos conceitos aplicados na nova sede da empresa.
 
Mais detalhes – Ainda para cumprimento da certificação LEED CI, todos os conceitos de economia de recursos naturais disponíveis no mercado brasileiro foram utilizados como torneiras com sensor, descargas com duplo fluxo, luminárias de alta eficiência e equipamentos com o selo Energy Star.  Além disso, “toda madeira usada na obra é certificada, tintas e vernizes usados foram produzidos à base de água, os assentos possuem material reciclado na composição, o carpete usado possui produção sustentável, além do uso da luz natural e do controle setorizado de iluminação”, destaca Ivo Wohnrath. O acesso à paisagem urbana também é um fator a ser considerado, pois estabelece uma ligação real entre os empregados e o meio que os cerca, colaborando para a melhora nas condições de trabalho.
 
Entre os primeiros contatos entre a Athié Wohnrath e a obra final, o processo levou dez meses, sendo quatro deles para a execução da obra. Por fim, após processo de verificação e auditoria do USGBC, a obra recebeu a certificação Silver, a primeira para CI (Commercial Interiors) na América Latina.
 
  
Os diferenciais sustentáveis do projeto do escritório do Morgan Stanley que possibilitaram a certificação LEED-CI
 
·         Uso e conservação de água: Todos os sanitários possuem dispositivos economizadores de água, como, por exemplo: bacias com caixa acoplada e sistema de descarga com duplo acionamento de 3 e 6 litros, mictórios com fechamento automático, torneiras com sensor de presença e torneiras gerais com restritores de vazão.
 
·         Equipamentos elétricos eficientes: Priorizou-se o uso de equipamentos elétricos (computadores, monitores e impressoras) que consomem menos energia e têm o selo Energy-Star. O Energy-Star é um programa voluntário, que visa promover inovações em economia de energia dos equipamentos, atribuindo um selo aos de maior eficiência.
 
·         Sistema de condicionamento de ar: Especificação de equipamentos com gases refrigerantes de impacto reduzido na camada de ozônio e no efeito estufa. O sistema de condicionamento de ar projetado possibilita o controle de uso e temperatura por áreas, por meio da utilização de caixas de volume de ar variável (VAV) distribuídos em todo o andar.
 
·         Comissionamento dos sistemas: Os sistemas que demandam energia (como sistema de condicionamento de ar, iluminação e seus controles associados) foram inspecionados e testados para garantir que estejam corretamente instalados, calibrados e com o desempenho pretendido.
 
·         Reuso do edifício: Houve uma grande preocupação na concepção e desenvolvimento do layout, de modo que se aproveitasse ao máximo os elementos construtivos existentes no edifício (luminárias, pisos e forros), minimizando demolições, geração de resíduos e, consequentemente, a necessidade de utilização de recursos e materiais novos.
 
·         Gestão de resíduo de obras: Os resíduos gerados durante a obra foram desviados de aterros sanitários e destinados para triagem e reciclagem.
 
·         Depósito de lixo reciclável: Como o edifício já possui um sistema de coleta seletiva, foi desenvolvida uma infraestrutura interna para que todos os resíduos gerados pelo escritório sejam separados, facilitando a coleta e reciclagem.
 
·         Materiais construtivos: Os materiais utilizados na obra foram selecionados, sendo priorizados os que possuíssem conteúdo reciclado em sua composição, tivessem sua matéria-prima extraída e processada próximo ao local da obra e emitissem baixos níveis de compostos voláteis orgânicos (COV).
 
·         Madeira certificada FSC: Os móveis foram fabricados com madeira certificada FSC. A certificação do Forest Stewardship Council é um processo voluntário que avalia questões ambientais, econômicas e sociais no manejo da floresta e na produção de madeira.
 
·         Conforto do usuário: Todo o projeto foi desenvolvido para promover o conforto do usuário. O sistema de ar condicionado é monitorado para garantir temperaturas confortáveis nos ambientes de trabalho, e a maioria dos postos de trabalho têm vista para a área externa. A proibição do fumo no interior do escritório e nas áreas comuns do edifício também garante melhor qualidade do ar para os funcionários.
 
·         Plano de Qualidade Interna do Ar, durante a obra e pré-ocupação: Durante a obra, foram adotados procedimentos para melhorar a qualidade do ar tanto para os funcionários da obra quanto para os futuros usuários, como: limpeza permanente, proteção dos dutos de ar condicionado para evitar contaminação com poeiras durante a obra, armazenamento de materiais em locais isolados de umidade, odores e poeira. Após a fase de obra e antes da ocupação dos ambientes, executou-se um processo denominado flush–out, em que o sistema de ar condicionado permaneceu ligado por alguns dias para eliminação de partículas suspensas no ar e limpeza do ambiente.
 
·         Programa de Educação Ambiental em Obra: O programa foi implantado para todos os colaboradores, durante a fase de obra, para promover o desenvolvimento de uma consciência ambiental crítica. Os conteúdos foram desenvolvidos de forma dinâmica, coletiva e contínua, considerando a participação de todas as equipes de empreiteiros envolvidos em cada etapa.

 
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