arquitetura, engenharia e construção

a | w Athié Wohnrath Associados – Arquitetura Corporativa

 Sérgio Athié em entrevista ao Jornal Valor Econômico

 
Junto com outros 5 escritórios renomados no país, Athié faz um ensaio de como serão os espaços corporativos dos próximos anos.

 
 
 


(...) Aos 51 anos, mais de 20 deles dedicados à arquitetura corporativa, Sérgio Athié, do Athié Wohnrath Associados, é enfático ao dizer que o trabalho conjunto, com pessoas presentes e conectadas entre si, nunca vai acabar, até porque a área de trabalho ajuda a disseminar a cultura de uma empresa.
 
Pensar no passado é sempre um bom exercício quando se projeta o futuro. Há apenas 15 anos, os espaços corporativos mostraram um primeiro sinal de mudança, quando as salinhas cederam lugar a espaços abertos em que as divisões se davam por baias. As primeiras subiam até 1,80 m. Hoje, elas praticamente desapareceram. "Isso só aconteceu porque as empresas precisavam colocar mais funcionários em áreas menores", diz Athié.
 
Só depois elas perceberiam que manter as pessoas em contato trazia benefícios. Falando de assuntos genéricos, as pessoas tendem a acabar conversando sobre um assunto comum: o trabalho. E aí podem surgir as boas ideias. Hoje, mesmo empresas que não costumam receber clientes estão mais abertas às mudanças e preocupadas em criar ambientes flexíveis que sejam agradáveis para o funcionário, com luz natural, conforto térmico, boas áreas comuns e elementos da vida cotidiana, como obras de arte.
 
Proporcionar esses espaços saudáveis não é uma boa ação feita pelas empresas, mas uma questão estratégica. Eles são decisivos para manter o funcionário e pesam até mais do que o salário, especialmente para as novas gerações. "O custo de contratar e demitir um funcionário é altíssimo", afirma Athié. Na época das salinhas, as pessoas dispunham apenas de uma pequena copa para fazer uma pausa.
 
O objetivo era justamente não permitir que se perdesse tempo no cafezinho. Agora se sabe que esse tempo perdido é, na verdade, tempo ganho. Hoje, as áreas comuns chegam a 40% do layout nos projetos feitos pelo Athié Wohnrath. Nas salas de reunião, sai a figura do líder que ocupa a cabeceira, como os antigos patriarcas nas antigas casas, e entram os funcionários democraticamente distribuídos ao redor de uma mesa redonda, em um ambiente pensado para a troca e a colaboração. Trabalhar em casa, como se imaginou anos atrás com os alardeados "home offices", foi uma promessa que não se cumpriu. (...)
  
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