| 2006/ Jun - revista Época |
|
A vingança da lousa
Se cuida, PowerPoint. Com tecnologia interativa,
o quadro-negro está voltando às reuniões de negócios INTERATIVIDADE
Arquitetos do escritório Athié Wohnrath discutem projeto em uma lousa inteligente: alterações podem ser feitas com o dedo e depois enviadas aos PCs.
Com cerca de 400 milhões de cópias,o PowerPoint é um dos programas de computador mais populares do mundo. Criado em 1987, como Presenter - e rebatizado como PowerPoint três anos depois -, ele fez sucesso quase imediato porque facilitou a árdua tarefa de preparar apresentações. Facilitou tanto, mas tanto, que se tomou junto com dezenas de programas similares) uma praga nas empresas. Se você trabalha em uma, sabe do que estamos falando. Das reuniões modorrentas com slides que supostamente explicam algo.
A ditadura do PowerPoint se firmou a tal ponto que as pessoas pareciam não ver saída para ela. "Se a melhor idéia do mundo não for apresentada em slides, é melhor desistir dela" , disse Meg Whitman, presidente do site de leilões eBay, em 2002. Em seguida, ligou o projetor e iniciou uma conferência nos Estados Unidos. As palavras de Meg fazem sentido. O software da Microsoft é tão utilizado dentro das empresas quanto o correio eletrônico. No Brasil, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, 95% dos usuários de PC nas empresasutilizam o programa nas reuniões. Mas uma tecnologia mais moderna vem desbancando o PowerPoint: o quadro eletrônico interativo. Ligado a um computador, ele reproduz a tela do PC numa superfície grande e sensível ao toque, como as telas dos palmtops. Isso torna possível controlar qualquer software do computador diretamente da lousa, chamada de inteligente. "Parece que eu estou no filme Minority Report, afirma Alessandro Lopes, arquiteto do escritório Athié Wohnrath, que usa a tecnologia há um ano. No filme, de Steven Spielberg, o personagem de Tom Cruise interage com o computador com as mãos, movendo
quadros numa tela virtual. No quadro interativo, esse recurso futurista é possível. O equipamento vem com um
software que permite escrever, desenhar e mover objetos na tela. As alterações podem ser feitas com uma caneta óptica ou, se o usuário quiser, com o próprio dedo. Também é possível arrastar imagens da internet e gravar o áudio da apresentação. Todas as anotações feitas durante a reunião são salvas pela lousa - e podem ser transmitidas para outros computadores. "Quando a reunião acaba, mando o material aos articipantes por e-mail. Isso aumentou a produtividade", diz Lopes.
O equipamento é usado há algum tempo em grandes escolas e faculdades. Aos poucos, empresas como Petrobras, Siemens, Vivo e Johnson's passaram a adotar as lousas. A Petrobras utiliza 31 quadros em um centro de pesquisas no Rio de Janeiro. "Temos mais colaboração nas reuniões, pois todo mundo pode alterar a apresentação na hora" , diz o analista Gilson Mazinni. O quadro interativo foi inventado no fim dos anos 80. O conceito foi utilizado pelos professores canadenses David Martin e Nancy Knowlton, que fundaram a Smart Technologies para vender o equipamento a escolas. Com a chegada da internet, o conceito explodiu. Mas demorou para se disseminar, por causa do preço. Uma versão básica do quadro interativo da Smart custa US$ 4.500. O modelo mais caro, de 77 polegadas, sai por US$ 70 mil. A tendência, como qualquer tecnologia, é que o preço caia. Já existe concorrência. Além da Smart, as empresas Luidia, Virtual Ink e Egan fabricam quadros interativos. Mas, se você acha que isso é o fim do programa da Microsoft e de seus congêneres, esqueça. O quadro interativo pode funcionar perfeitamente integrado ao PowerPoint. • |
