2008/ Ago - revista Kaza Espaços corporativos

Microsoft

A escolha do novo edifício foi detalhadamente estudada e o colorido na composição do layout deu um toque brasileiro à empresa americana

Com a necessidade de ampliação da sede da Microsoft em São Paulo, a empresa realizou um estudo para avaliar qual seria o local ideal para instalar a nova sede. A análise partiu de uma base de mais de trinta opções de endereços para a instalação do escritório - para uma avaliação detalhada das oportunidades, virtudes e custos associados de cada opção. Entre os itens para a definição da nova sede, foi realizado um mapeamento dos endereços de todos os funcionários a fim de determinar qual das opções estava melhor localizada em relação a moradia da maioria do pessoal. Ao final dos estudos, tínhamos na nossa frente um mapa completo de todas as opções, vantagens, desvantagens, investimentos e as que seriam menos ou mais traumáticas do ponto de vista operacional, lembra o facilities manager da Microsoft, Alexandre Nagano. Com esse banco de dados as opções ficaram restritas, portanto a decisão final foi permanecer no mesmo endereço com a ampliação do escritório em outra laje.

 

Foram anexados 1.566 m2 aos 6.609 m2 já existentes, totalizando 8.175 m2 distribuídos em cinco andares para 135 colaboradores. O projeto de expansão seguiu alguns conceitos da sede mundial da empresa, nos Estados Unidos, mas o escritório de arquitetura brasileiro, Athié Wohnrath Associados teve total liberdade para inovar o quanto fosse necessário. A mudança foi constituída por vários colaboradores da empresa. A intenção era incorporar o máximo de idéias que contribuísse para o bem-estar dos funcionários. Previamente foi feito um estudo detalhado com os diversos cenários possíveis, mostrando as melhores opções de espaços para atender às necessidades da empresa

 

 

Após as devidas avaliações, a nova sede acomoda doze salas de reuniões, cinco salas fechadas, espaço multiuso com copa, break room, lounge e 134 baias. O conceito de espaços abertos, com menos mesas em salas fechadas e muito espaço de colaboração, para facilitar a troca de idéias e discussão de novos projetos. Acreditamos que um ambiente com menos barreiras físicas possíveis cria uma condição favorável para privilegiar a comunicação e interação dos usuários, aumentando assim a idéia da coletividade, comprometimento e cross-group collaboration, comenta Nagano. Atualmente está sendo estudada a instalação de abafadores de ruído para evitar possíveis problemas futuros. Para seguir a idéia de conforto aos funcionários, o equilíbrio das luzes também foi planejado. Como solução, a iluminação natural é obtida através de vidros transparentes nas janelas para que todas as salas recebam luz solar.

 
 

Advocacia contemporânea


Listados entre os dez maiores da América Latina, quatro dos principais escritórios de advocacia de São Paulo revelam semelhanças em seu layout e diferenciais que reforçam a identidade de cada um

 

Há tempos que o layout dos interiores dos escritórios de advocacia assumiram um padrão no subconsciente coletivo. Se pedirmos para uma pessoa descrever o ambiente, será provável que ela retrate grandes salas com mobiliário de madeira escura, muitos livros e uma infinidade de pastas de processos sobre todas as mesas. Essa idéia faz parte do passado, o cenário atual nos interiores dos grandes escritórios de advocacia revela uma nova forma de trabalho. Mesmo que era digital tenha diminuído consideravelmente a quantidade de livros, a biblioteca - com estantes e mesas para leitura - ganha uma nova configuração. Em sua maioria, os escritórios de advocacia as mantém anexas ou próximas às salas de reuniões. Os ambientes também ganharam um novo aspecto, com iluminação natural e mobiliário em tons claros para tornar o espaço de trabalho mais agradável e confortável. Em linhas gerais, os grandes escritórios de advocacia - instalados em São Paulo - apresentam salas individuais para os advogados - que podem variar de tamanho conforme a classificação do profissional (sócio, pleno, sênior e júnior) -, baias para estagiários, além de mesas para secretárias e o pessoal de apoio. As salas de reuniões isoladas das áreas operacionais - têm sido uma exigência comum e, os mais sofisticados, oferecem salas especiais ao cliente com acesso à internet e telefone. "Geralmente quando somos convidados para desenvolver um projeto é solicitada uma atenção especial ao espaço dedicado aos clientes", afirma Stella Theodorakis, arquiteta do escritório de arquitetura Athié Wohnrath. As salas de reuniões de grande porte - para encontros com sócios e acionistas das empresas clientes - são equipadas com telefones, acesso à internet e tecnologia adequada para teleconferências. "Nessas salas de reuniões são recebidos os clientes. É ali que os contratos são fechados, portanto é o espaço onde o cliente irá conhecer seus advogados", destaca Maurício Mendonça, sócio do Reinach/Mendonça Arquitetos Associados. Os escritórios de advocacia contemporâneos também estão atentos a padronização dos andares, com portas de correr (de vidro transparente) nas salas dos advogados para melhor aproveitamento do espaço. Entre os quatro maiores escritórios de advocacia, com sede em São Paulo - listados no ranking dos maiores da América Latina em número de advogados - há soluções em comum, mas também características ímpares que expressam e definem bem o jeito e a singularidade de cada um.

 

Souza, Cescon Avedissian, Barrieu e Flesch advogados

 

Uma recepção clara, graças ao uso do vidro transparente, é a primeira imagem que se tem desse escritório planejado em 2007 pelo escritório Athié Wohnrath Associados em parceria com Reinach Mendonça. "A associação foi sugerida pelo próprio cliente. Os dois foram chamados para apresentar uma proposta separadamente, como concorrentes, mas eles sentiram que teriam maior ganho se ambos trabalhassem no projeto", afirma o arquiteto Mauricio Mendonça sócio do Reinach Mendonça Arquitetos Associados. Dentro do projeto, havia a preocupação em se obter um visual contemporâneo para marcar bem a nova imagem do escritório que acompanharia a mudança da sede para o E-tower, na rua Funchal, na capital paulista. "Precisávamos de uma sede mais ampla, moderna e com melhor aproveitamento de espaço. Priorizamos as áreas comuns em detrimento das áreas pessoais para acomodar todos os advogados. Queríamos um ambiente leve e com materiais atuais", afirma o advogado Cássio Namur, encarregado pela comunicação do escritório, que acompanhou o projeto juntamente com os sócios.

 

O pavimento do meio foi destinado para as salas de reunião que precisavam ser amplas e confortáveis, pois alguns encontros podem demorar muitas horas. "Às vezes começamos com um café da manhã e vamos até o jantar. Já chegamos a virar a madrugada aqui, por isso temos uma cozinha ampla já preparada, embora não seja industrial. Quando sabemos que isso vai acontecer, normalmente contratamos um bufê para providenciar tudo", diz Celso Namur. As áreas operacionais seguiram um padrão fixo com salas, baias, copas e centrais copiadoras, que foram distribuídas com a intenção de evitar circulação desnecessária pelo escritório. "As salas de advogados ocupam sempre o perímetro dos andares, enquanto estagiários e secretárias distribuem-se ao redor do core.

 
Os três andares de 800m2 são interligados por dois lances de escada de vidro em um vão livre - de pé direito triplo - localizado em frente às grandes janelas do prédio. No piso inferior, dentro da área de visão proporcionada pelo vão, avista-se a biblioteca e no pavimento superior, as paredes envidraça das da sala de convivência alinham-se com o espaço aberto. "A primeira coisa que precisávamos definir era como organizar circulações para que o escritório ficasse o mais integrado possível. A decisão principal foi rasgar a laje e nesse momento decidimos que o pavimento do meio seria de reuniões para que se criasse aquele grande átrio, de forma que desse para quem entra no edifício a exata noção do tamanho do escritório", declara Maurício Mendonça. O próprio vão livre e as escadas foram baseadas em algumas sugestões dos sócios que queriam ligar a transparência do vidro com a idéia de justiça. A entrada - localizada no andar intermediário - tornou-se um local de impacto, onde o exterior marca forte presença no interior do escritório através das grandes janelas dos andares. Além disso, a escolha não foi apenas estética, mas também funcional. "Como esse é um andar para receber clientes e também das salas de reuniões, fica um andar de fácil acesso para os pavimentos tanto inferior como superior, onde ficam os advogados. Então, todos tem apenas um pavimento acima ou abaixo para se deslocar", explica Mendonça.
 

Foi usado vidro em toda a fachada das salas, garantindo luz natural para todos", diz a arquiteta Stella Theodorakis. Uma área de conveniência foi feita com o foco voltado para os funcionários. O lugar possui algumas mesas para refeições, um sofá, uma televisão, algumas revistas e máquinas de café e refrigerante. Chamado internamente como "sala de descompressão" é utilizada para as reuniões sociais, apresentação de novos integrantes, comemoração de aniversários ou simplesmente para espairecer no horário do almoço, entretanto, torna-se um ambiente coringa, onde, por vezes são levados alguns clientes para tomar um lanche ou para uma conversa mais descontraída. A parede envidraçada foi a solução para evitar que o ruído vazasse para os demais ambientes e, ao mesmo tempo, fosse vista por quem está na recepção.

 
 

Machado, Meyer, Sendacz e Ópice advogados

A mudança de endereço em 2006 motivou a contratação do escritório de arquitetura Athié Wohnrath Associados responsável pelo projeto da antiga sede. Embora o novo prédio tenha melhor localização, o espaço é menor que o anterior, portanto o planejamento do layout procurou otimizar o espaço, uma vez que o crescimento desordenado no antigo escritório acabou criando uma grande perda de área útil. "O maior desafio foi encontrar uma solução de layout que ficasse agradável para todos. Tanto para quem estava em salas fechadas, como para quem estava em espaços abertos. A laje do prédio é muito estreita e, por ser um projeto para advogados, necessariamente é preciso dispor de diversas salas, a área restante devia instalar estagiários, secretárias e o pessoal. Para esses funcionários elaboramos um conjunto especial para essas", afirma a arquiteta Sílvia Contier, do escritório Athié Wohnrath.

 

Os sócios do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados possuíam um briefing definido e procuravam resolver problemas detectados anteriormente, priorizando a funcionalidade com divisão por setores, concentração das onze salas de reunião em um único andar (para evitar a circulação de clientes pelos ambientes de trabalho) e a necessidade de espaços vagos para o futuro crescimento da empresa. "O novo ambiente equacionou de forma eficiente os aspectos estruturais com as nossas necessidades operacionais. Além disso, possibilitou uma economia em alguns setores por meio de soluções, muitas vezes simples, como o uso de portas de correr, portas falsas e salas voltadas para as janelas", afirma o sócio Moshe Sendacz. Os sete andares do edifício Seculum, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, totalizam uma área de aproximadamente 5 mil m2 e abrigam cerca de 400 funcionários, entre elas 210 advogados. Em todos os pavimentos foi feita a divisão de salas nas extremidades do espaço, as salas isoladas são destinadas aos advogados. Nas áreas abertas foram instaladas baias para secretárias, estagiários e pessoal de apoio. "Uma sugestão boa proposta pelo Athié Wohnrath, e que nós gostamos, foi a padronização do tamanho das salas. Elas têm praticamente o mesmo tamanho, algumas com duas pessoas e outras com apenas uma. Essa padronização facilita o remanejamento, assim podemos transferir alguém de andar e mudar a função da sala sem nenhum problema", afirma Sendacz.

 

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