2008/ Dez - revista CESA

CAPA I
 

A mudança é uma realidade na vida das organizações. A necessidade de acompanhá-las através de medidas que envolvem estrutura técnica e operacional está presente no cotidiano de sociedades de advogados em todo o Brasil. Foi esse processo, de adaptação às constantes transformações do mundo corporativo, que viveram, em 2006, as sociedades de advogados que deixaram o Centro da capital de São Paulo para atuar no novo centro corporativo da cidade, as regiões sul e oeste, conhecidas também, como Jardins.


Pinheiro Neto Advogados mudou em junho,
depois de 42 anos atuando na rua Boa Vista, no Centro da capital paulista.A banca passou a ocupar inteiramente um edifício no Jardim Europa. Na nova sede trabalham, em 12 mil metros quadrados, cerca de 700 pessoas entre advogados, estagiários e equipe administrativa.
 

Logo em seguida, no mês de setembro, foi a vez do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice tomar o  mesmo caminho e aportar na avenida Brigadeiro Faria Lima, no Jardim Paulistano. Os sete andares, com cinco mil metros quadrados no edifício Seculum, receberam aproximadamente 400 colaboradores. Mais recentemente, foi a vez de Tozzini Freire, que em novembro mudou-se para a Vila C1ementino, para um prédio  com sete pavimentos e 7200 metros quadrados, próximo ao parque Ibirapuera. Nele trabalharão cerca de 450  funcionários, advogados e estagiários.A banca, que comemorou seu trigésimo aniversário, aproveitou para adotar o nome pelo qual já era conhecida, Tozzini Freire Advogados.  

Coincidência ou não, as mudanças quase simultâneas representam mais que uma seqüência de boas oportunidades aproveitadas por essas organizações. Refletem uma busca constante pelo aprimoramento da gestão e do atendimento. "A gente aproveita esse momento para reavaliar diversas práticas e procedimentos, analisar o seu negócio", explica Carlos José Santos da Silva, diretor de Comunicação e Relações  institucionais de Machado, Meyer, Sendacz e Opice. As motivações, as dificuldades e os primeiros resultados desses investimentos - que vão muito além de um novo endereço e passam pela estrutura, proximidade do cliente, e pela construção da imagem do que é uma sociedade de advogados - estão aqui.   

O deslocamento dos escritórios deu-se da saída do Centro de São Paulo para a região dos Jardins e  corredores. Douglas Prendalia Harabari, consultor da CB Richard Ellis, que auxiliou Pinheiro Neto Advogados a encontrar sua atual sede, aponta a avenida Paulista e entorno, Jardins, avenidas Presidente Juscelino Kubitscheck, Brigadeiro Faria Lima e ao longo da Marginal Pinheiros como as áreas para as quais os escritórios estão se movimentando. Os investimentos não foram pequenos. O custo do metro quadrado nessas áreas mais valorizadas da cidade, segundo José Luís de Toledo Barros, diretor da Base Real Estate, que assessorou o escritório Nei Zelmanovits: aproveitamento racional do espaço Machado, Meyer na busca pelo imóvel, chega a ser, em média, três vezes maior. Essa diferença, entretanto, é amortizada pelos ganhos em manutenção e melhor aproveitamento de espaço. Mesmo guardando os valores totais a sete chaves, os representantes dos escritórios destacam as vantagens. Nei Schilling Zelmanovits, sócio de Machado, Meyer, afirma que "algumas coisas de infra-estrutura ajudam muito. Com um piso elevado você pode fazer um cabeamento mais fácil. O próprio layout do prédio, por ter esse conceito de espaço aberto, permite dimensionar as salas e alocar melhor as pessoas.Nós otimizamos os espaços. Diminuímos a metragem e ganhamos em utilização". Machado, Meyer ocupava oito mil metros no endereço anterior e conta atualmente com cinco mil no edifício da avenida Faria Lima. "O custo de metro quadrado é maior, mas como o  aproveitamento do espaço é melhor, uma parte desse valor acaba não se convertendo em aumento real" confirma Zelmanovits. Os próprios consultores concordam que o investimento em novas instalações pode ser vantajoso. "Como os edifícios mais novos são mais eficientes, a tendência é que os outros custos de ocupação, como condomínio e energia, sejam inferiores em prédios de melhor especificação", argumenta

Douglas Harabari.  

O aproveitamento mais racional do espaço também foi fundamental na decisão de procurar um novo espaço no caso de Pinheiro Neto Advogados. A banca deixou 17 mil metros quadrados para ocupar 12 mil metros quadrados no endereço novo. Marcelo Avancini Neto, sócio do escritório e membro da comissão encarregada pela mudança, afirma que no prédio antigo cada andar acomodava de 70 a 80 pessoas, enquanto nos novos andares até 100 pessoas podem trabalhar. "É mais fácil utilizar o espaço." O exemplo de Pinheiro Neto Advogados chega a ser mais delicado, uma vez que na rua Boa Vista os andares não eram contínuos. No mesmo endereço desde 1964, a sociedade de advogados cresceu desordenadamente ocupando diversos andares do mesmo edifício e até andares de um prédio anexo. "As salas de reuniões e de advogados estavam dispersas, a biblioteca estava espalhada e os arquivos ambém", recorda-se Avancini. Dentro desse quadro, a ocupação de um prédio nteiro, ou seja, tornar-se monousuário, pareceu a solução ideal para  Pinheiro Neto. "Com a compactação em um único prédio, em andares contínuos, pudemos repensar todas as nossas estruturas administrativas", afirma.

 

A mesma motivação levou Tozzini Freire Advogados a também se tornar monousuário. Ricardo Ariani, CEO de Tozzini Freire, diz que a organização valorizou desde o primeiro momento a idéia de ocupar, com  exclusividade, um edifício inteiro. Em seu entendimento, as vantagens vão de oferecer ao cliente um local de acesso mais fácil e estacionamento próprio com 100 vagas, até a oportunidade de apresentar-se em um  edifício belo, com andares amplos. Os novos pavimentos ofereceram à banca a liberdade para ocupá-los de acordo com as diretrizes e o pensamento da organização. Diante de diversas possibilidades, Tozzini Freire não se privou de inovar e adotou o conceito de open space em toda a nova unidade. "É uma mudança cultural", afirma Ariani. Ela significa que não existirão salas para os advogados nem mesmo sócios, todos trabalharão em ambientes abertos. Os objetivos desse desenho Singular são, "primeiro, uma otimização de espaço e,  segundo, integração maior das equipes. Trabalhando todo mundo junto é possível acompanhar melhor as atividades", diz Ariani. As salas que ocuparão os 5º e 6º andares por completo, serão reservadas aos clientes, para reuniões ou conferences calls.


 

A possibilidade de crescer nesses espaços também foi considerada na hora de escolher o imóvel. O escritório Machado, Meyer, por exemplo, não está estagnado. De acordo com o representante da banca, "se for  necessário contratar mais pessoas e crescer, vai ser possível no espaço atual, não há dúvidas quanto a isso". Um estudo realizado por Pinheiro Neto Advogados demonstra que no novo endereço o setor jurídico pode expandir até 40%. "Quando escolhemos o prédio levamos muito em consideração a nossa capacidade de expansão. Até para não ter que mudar daqui a um ano". Um dos pontos destacados por Marcelo é o formato da laje do edifício da rua Hungria, que é retangular a permite uma ocupação mais racional do espaço.

 

Os investimentos com as mudanças não se resumiram à localização e instalações. Edifícios novos, algumas vezes ocupados apenas pelo escritório, permitem uma decoração diferenciada, com conceitos e ambientes desenvolvidos com exclusividade para atender o negócio e os clientes das sociedades de advogados. Paulo Homem de Mello, arquiteto da Athié Wohnrath, responsável pelo projeto de Pinheiro Neto Advogados, destaca suas preocupações na hora de realizar a empreitada, como desenvolver ambientes de trabalho fluidos e liberar as fachadas para as salas dos advogados. O projeto também permitiu uma farta iluminação natural no centro do pavimento com o intuito de promover tanto a flexibilidade e o dinamismo como a comunicação

interna.  

Machado, Meyer investiu em equipamentos e mobiliário. O endereço antigo, mesmo com andares contínuos, progrediu sem planejamento. Carlos Silva afirma que "o crescimento na (rua) Consolação foi acontecendo de acordo com a necessidade. Precisava de mais espaço, alugava mais um andar, adaptava as salas, fazia uma reforma".  

Diferentemente do novo escritório, as salas de reuniões eram distribuídas em variados andares. No edifício Seculum o escritório Machado, Meyer mantém recepção exclusiva no hall de entrada, um andar exclusivo para salas de reunião, com locais para vídeo-conferência e reuniões menores. A preocupação ao desenvolver o design interior foi focar no cliente. "Concentramos as salas de reunião em único andar porque isso traz mais segurança". Foi ressaltada a preocupação em preservar a privacidade do cliente e dispor as salas de forma a evitar o encontro de um com outro. No projeto desenvolvido para a sociedade, as diversas salas, de  imensões diferenciadas e em locais estratégicos, permitem que concomitantemente um grupo faça o fechamento de  uma operação em um local, enquanto outro tem a liberdade de discutir em um ambiente ao lado.

 

Pinheiro Neto Advogados também não poupou esforços e investiu na casa nova. Já na recepção a biblioteca com cerca de 52 mil volumes, a maior biblioteca jurídica privada do Brasil chama a atenção. Em dois níveis, a biblioteca é interligada através de uma plataforma ao mezanino que abriga um lounge de leitura e uma  cafeteria. No mesmo pavimento está o auditório com 266 lugares, que já foi utilizado por associações e  câmaras que solicitaram a estrutura ao escritório. No subsolo, no hall com pé direito duplo, aloca-se o memorial Pinheiro Neto, ligado ao lobby principal no térreo através de escadas rolantes. Os sete primeiros andares são os operacionais, para os grupos administrativo e jurídico. O oitavo andar é reservado às salas de reunião, com recepção, salas de espera e almoço ligadas às varandas, e inúmeras salas de reunião com diferentes configurações e dimensões. Avancini também considera positivo o escritório ter "dedicado aos clientes um andar exclusivo para atendê-los". Além das salas, o andar conta com estrutura de copa, suporte técnico de informática e vídeo conferência. "Isso agradou muito os clientes".  

À cobertura coube um terraço e um deck para eventos internos ou confraternizações com clientes. O espaço privilegia a "bela vista do Hipódromo e do skyline de São Paulo", valoriza o arquiteto Paulo Homem de Mello. É ele que explica os conceitos que foram usados para valorizar os espaços "marcados pela sobriedade e  contemporaneidade.O contraponto entre tons claros e escuros é explorado pelos elementos arquitetônicos e efeitos de iluminação".

 

A mudança tinha endereço certo, o cliente. "O retorno é melhor do que qualquer um de nós imaginava. Eles fazem questão de vir para cá, estão curiosos e quando vêm aprovam. Até agora só recebemos elogios tanto de clientes nacionais como estrangeiros", diz Avancini. Para o advogado toda a estrutura desenvolvida na nova sede deve ser compreendida "como uma ferramenta de trabalho". Para chegar a esse ponto, entretanto não foi simples. "Processos desta magnitude e complexidade demandam muita assertividade, objetividade e trabalho coordenado de equipe" diz Paulo de Mello, e salienta que além de definir uma equipe do seu escritório focada exclusivamente nesse projeto, o papel da comissão que representava todo o corpo de sócios da banca, com poder de decisão, foi fundamental na hora de avaliar e validar soluções, investimentos e o cronograma do projeto. "Isto permitiu um alto nível de interatividade, muito foco, coordenação e sinergia, fundamentais para vencermos os desafios da relocação."

 

Representantes das demais sociedades de advogados concordam que todo o esforço e investimento gastos na mudança estão dirigidos ao cliente. "O objetivo é procurar um lugar que atenda melhor os clientes, seja mais fácil para seu acesso e que lhe seja agradável", sintetiza Ricardo Ariani. Antonio Meyer, sócio de Machado, Meyer, Sendacz e Opice, também ressalta que "a relação com o cliente foi importantíssima nessa decisão. Os clientes não tinham mais a mesma disposição para nos visitar, no Centro de São Paulo, pela dificuldade do trânsito, pela insegurança".  

Estar próximo dos clientes também foi um fator importante, principalmente para as sociedades Pinheiro Neto e Machado, Meyer. De acordo com dados fornecidos pelos próprios, cerca de 80% de seus clientes  encontram-se em um raio entre três e cinco quilômetros dos novos escritórios. Mais que a proximidade das sedes dos clientes, entretanto, valorizou-se a facilidade de acesso. O Centro da cidade apresentava diversos inconvenientes, como o barulho, a idade e a obsolescência dos edifícios.

 

Tais questões, entretanto, não parecem ofuscar aquele apontado como o grande vilão da história, o trânsito de São Paulo. Os representantes dos escritórios reconheceram, unânimes, que em um deslocamento dentro de São Paulo é possível perder de 40 minutos a uma hora no trânsito para ir e mais uma hora para voltar, o que resulta em problemas de produtividade e de qualidade de vida.

 

O trânsito também foi a grande motivação para a saída de Demarest e AImeida Advogados do Centro de São Paulo. Precursor do deslocamento, Demarest e Almeida deixou seu escritório na rua Líbero Badaró em 1995 para ocupar um novo espaço na Alameda Campinas, no bairro Cerqueira César. Em 2001 foi para a avenida Pedroso de Moraes no edifício Centro Cultural Ohtake, com linhas modernas e projeto de Ruy Ohtake, em Pinheiros. Orlando Di Giacomo Filho, sócio do escritório Demarest, recorda-se das dificuldades que o trânsito trazia tanto para os clientes como para advogados e funcionários. "Era na Praça Patriarca, então, não tinha estacionamento perto, até táxi para o cliente era difícil arrumar". Já na década de 90, a preocupação em oferecer melhores instalações, com acesso facilitado aos clientes, foi o fator motivador de Demarest a realizara primeira mudança. O retorno do  próprio pessoal do escritório, porém,surpreendeu os  administradores da banca. Para Orlando, já no primeiro endereço na Alameda Campinas foi possível sentir como as melhorias em acesso e estrutura motivaram a equipe como um todo. "Os funcionários estão num ambiente melhor para trabalhar. O outro era velho, meio ruim, aqui eles têm prazer em vir." A motivação interna pareceu afetar todos. O próprio Orlando usa-se de exemplo. "Eu mesmo não ia de carro para o Centro, só de táxi, hoje eu venho de carro. Olha que coisa boa, não preciso mais de guarda-chuva", diz e sorri. As melhores condições levaram advogados e estagiários a freqüentar mais o escritório, inclusive aos finais de semana e a levarem familiares para conhecer o ambiente de trabalho. O sucesso inspirou a banca a  ponto de instituir o "Dia da Família". Geralmente em uma sexta-feira do mês de outubro, eles recebem esposas, maridos, filhos, mães ou pais, de seus colaboradores que vão conhecer ou visitar o escritório. "Todos trazem familiares, do office-boy ao sócio mais antigo", orgulha-se Orlando.  

Engana-se, entretanto, quem acredita que os grandes escritórios de São Paulo abandonaram o Centro da cidade. Mesmo com os novos endereços, as sociedades Pinheiro Neto Advogados, Tozzini Freire e Machado, Meyer mantiveram em seus endereços antigos uma estrutura em operação. Ricardo Ariani, inclusive, define o edifício na Vila Clementino como uma "nova unidade uma vez que na Líbero Badaró a banca manterá dois andares em funcionamento com 210 funcionários. Já Machado, Meyer terá um andar e meio na rua Consolação, com cerca de mil e quinhentos metros quadrados, com um "posto avançado", para atender os advogados que trabalham principalmente com o contencioso. A parte administrativa do escritório e alguns arquivos, também serão mantidos no endereço do Centro. O mesmo objetivo fez com que Pinheiro Neto Advogados mantivesse 80 de seus funcionários e aproximadamente mil e trezentos metros quadrados na rua Boa Vista.

Além de salas de apoio para advogados que freqüentam o Fórum, parte do para legal empresarial, do  faturamento, expedição e suprimento permanece no endereço antigo. Demarest e AImeida, o primeiro a deixar o Centro, acabou retomando. Em 2004, inaugurou a unidade Centro, na Líbero Badaró, que hoje já ocupa dois andares  e conta com 245 funcionários entre advogados, equipe administrativa e estagiários. O retorno se deu também pela necessidade de crescimento e de atender o que o escritório chama de contencioso corporativo e clientes com grandes processos. Na hora de voltar, o que contou, de acordo com Orlando, foi a proximidade com o Fórum, com o metrô e os custos menores. A manutenção das unidades do Centro demonstra que o interesse das mega bancas pela região ainda existe. "O Centro continua vivo, tem muita coisa que pode ser feita para revitalizá-lo.  

 

Acreditamos muito no Centro, tanto que continuamos com uma base lá, senão não continuaríamos", diz o advogado de Machado, Meyer. Uma demonstração disso é que Tozzini Freire, Pinheiro Neto Advogados e Machado, Meyer, participam da Associação Viva o Centro, entidade de caráter cívico e sem fins lucrativos, que reúne organizações e instituições sediadas ou vinculadas ao Centro de São Paulo, que visa o  desenvolvimento urbanístico, cultural, funcional e econômico da região.Os próprios sócios não escondem o tom emocional ao falar do coração da cidade. "Somos muito gratos por tudo que o Centro nos ofereceu e proporcionou", afirma Carlos Silva. "O escritório sempre foi um defensor do Centro, a nossa imagem estava muito vinculada a ele", diz Marcelo Avancini, que não se esquece da relação de afeto que o sócio fundador José Martins Pinheiro Neto, o velho Pinheiro, mantinha com a região: "nos 60 anos que ele dedicou à  profissão o escritório foi no Centro. Ele tinha um carinho, uma paixão até, pela região", recorda.  

A necessidade de acompanhar tendências e atender as expectativas dos clientes, entretanto, falou mais alto. Os concorrentes concordam que houve uma mudança no eixo empresarial da cidade. "Em termos  empresariais o que vale é estar próximo do cliente". O advogado de Pinheiro Neto chega a prever que a "futura área corporativa de São Paulo é a marginal". Em Machado, Meyer o pensamento é o mesmo, que "houve um deslocamento natural dos negócios do Centro para essa região, pelo tipo de negócios que nós lidamos".

 

Para se aproximar do cliente, as sociedades de advogados estão conscientes de que é preciso mais do que apenas diminuir a distância entre sedes. Os sócios envolvidos no processo acreditam que o conforto oferecido, a maior eficiência na utilização dos espaços, os novos ambientes desenvolvidos exclusivamente para eles, sensibilizam a clientela e refletem na aparência a excelência do conteúdo. Para Carlos Silva "a relação do advogado com o cliente é muito próxima, de confiança. Você precisa tornar os encontros os mais

agradáveis possíveis".  

De acordo com Marcelo Avancini é possível encontrar na própria história do escritório os fundamentos que inspiraram o processo de mudança. O sócio lembra que quando o advogado Pinheiro Neto decidiu mudar-se da rua Líbero Badaró, em 1964, para ocupar novas salas na rua Boa Vista, buscava o que havia de melhor e mais eficiente à época. O edifício escolhido tinha a laje mais ampla, ao lado das sedes dos principais bancos da cidade - e da estrutura judiciária -, em uma região que à época representava o que São Paulo tinha de melhor, que era o Centro. "O que nós fizemos, em termos corporativos, foi manter a mesma essência, os mesmos valores que o escritório sempre teve." Para o representante de Pinheiro Neto Advogados, na rua Boa Vista a banca estava se distanciando dos clientes, ocupava um espaço confuso, numa organização física ineficiente, com perda de tempo e de sinergia, "mesmo para nós que trabalhávamos lá". Segundo o advogado, com a nova sede, o escritório está se voltando aos princípios antigos que já adotava como os de sinergia, de proximidade e de eficiência. "Nós preservamos nossa identidade ao mudar para cá, porque nós estávamos perdendo-a no Centro.

Então é mudar para não mudar. É mudar para permanecer com os mesmos valores dentro da mesma  filosofia, com a mesma essência empresarial." "Nós estamos falando de imagem. Quando o cliente chega e vê um prédio que se destaca arquitetonicamente dos demais da região, é imagem. A gente não vende imagem, a gente vende conteúdo, mas a imagem tem que estar acompanhando o conteúdo.

Acredito que o cliente vê o lugar como adequado. E de fato queríamos um lugar elegante e funcional, mas sem

ostentação."  O entendimento que é necessário oferecer cada dia mais ao cliente é compartilhado por Tozzini Freire. Ariani coloca a importância de se manter uma estrutura empresarial para atender grandes corporações. Ele afirma que é necessário adotar esquemas de gestão para facilitar a vida do advogado para que o mesmo possa se dedicar à sua área de atuação e prestar o melhor serviço ao cliente. "É um modelo de eficiência. Na medida em que você é mais eficiente, atende melhor o cliente", explica. Ariani vai além e diz que as organizações de prestação de serviço jurídicos, como ele nomeia os escritórios, que não estiverem com seu foco no cliente estão fora do seu tempo. Para ele muitas vezes o advogado está focado no trabalho e não sabe se o cliente quer ou entende o que está escrito e que de nada adianta um trabalho maravilhoso se o cliente não o percebe assim.
 

A aplicação desse pensamento na hora de optar pela melhor localização e oferecer serviços exclusivos aos clientes já têm demonstrado os primeiros resultados. Em Pinheiro Neto Advogados, após três meses da  mudança, em agosto, já era possível detectar um aumento de produtividade comparado com a média histórica da banca. "É cedo para afirmar que se trata da confirmação de um fato. É um sinal, entretanto, e o que se vê são as pessoas trabalhando mais, em ambientes em que estão felizes. A produção flui".  

Orlando Di Ciacomo, que já passou pelo processo há mais tempo, confirma o impacto positivo na produção do escritório e salienta o seu poder de reformulação. "É uma coisa interessantíssima, como as pessoas se transformam conforme o lugar. Tanto que a gente notou que depois de mudarmos e arrumarmos as mesas, o número de horas trabalhadas aumentou. O pessoal começou a trabalhar mais porque era fácil parar o  carro, o ambiente era gostoso, renovou a cabeça", afirma Orlando.

 

Com o sucesso da empreitada, Pinheiro Neto Advogados já planeja as próximas melhorias. Em breve, a cafeteria será inaugurada e atenderá tanto o público interno como os clientes. No oitavo andar, dedicado às salas de reunião será criado um serviço de catering, as adaptações na cozinha para servir refeições aos clientes já estão em andamento. A nova sede de Pinheiro Neto Advogados em Brasília, que tem sua inauguração agendada para final de 2007, início de 2008, uma vez que o prédio ainda está em construção, deve seguir os mesmos padrões adotados em São Paulo. Avancini assegura que "em Brasília serão os mesmos critérios e premissas que foram sucesso aqui". A banca pretende utilizar um projeto arquitetônico similar, com o mesmo mobiliário e conceito. Mais uma demonstração de que, apesar dos altos custos, o investimento no cliente e principalmente em si próprio sempre são recompensados.

 
 
Proximidade do cliente e sinergia interna foram resgatadas por Pinheiro Neto Advogados, segundo Marcelo Avancini



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