| 2009/ mai - revista Office Style |
![]() Mais que um prédio, um marco para a cidade Edifício Palazzo, sede da MSC no Brasil, surge como a mais moderna construção de Santos, litoral paulista
Por Alexandre Negrini Turina
![]() ![]() A Mediterranean Shipping Company (MSC), empresa fundada em 1970 em Genebra, Suiça, tornou-se rapidamente uma das empresas líderes em todo o mundo no transporte marítimo. No Brasil desde 1997, com 14 escritórios divididos em quase todas as regiões do país, a MSC é a segunda maior empresa global em número de conteiners transportados. O crescimento se deu, em grande parte, graças à sua grande capacidade de adaptação às exigências de mercado, em constante mudança, e ao seu planejamento e logística, sempre ajustados para cada cliente. “Atuando em 13 portos do Brasil, incluindo os portos de Belém e Manaus recém iniciados, operando com 7 serviços dedicados à costa brasileira e disponibilizando mais de 40 navios, hoje a MSC se tornou o principal armador nas operações de importação e exportação brasileiras”, destaca o presidente da MSC no Brasil, Élber Justo. Em junho de 2007 a MSC contatou a Athié Wohnrath, empresa especializada em arquitetura corporativa, quando manifestou o seu desejo de construir uma sede administrativa própria na cidade de Santos, litoral paulista, onde está localizado o porto de maior tráfego da America Latina. “Juntamente com essa necessidade,
pensamos em agradecer e presentear de alguma forma a cidade de Santos com um edifício moderno nos padrões triple A e com o aproveitamento de recursos naturais. Portanto, reafirmamos a escolha de que nossa sede nacional deveria ser construída
aqui. Esse edifício foi o resultado de um longo trabalho, que contou com a ajuda de nossos parceiros, colaboradores, e principalmente com o apoio da prefeitura de Santos”, afirmou Élber Justo, presidente da MSC no Brasil, durante a inauguração. Assim, menos de dois anos depois, um marco para a cidade, o edifício Palazzo, é inaugurado. “A companhia mudou o conceito de permanecer na área portuária, transportando-se a uma outra parte da cidade, o que nunca foi feito por outro transportador”, lembra Cecilio Perez, diretor adminstrativo da MSC no Brasil.
![]() De dentro para fora – Oferecer o melhor custo benefício para seus clientes é palavra de ordem na Athié Wohnrath. Mas para que isto seja de fato realidade, a utilização do espaço do edifício foi planejada com o máximo de flexibilização de uso, priorizando as necessidades dos ocupantes conforme alguns parâmetros pré-definidos em comum acordo com a MSC no início do empreendimento. Para exemplificar com números, o edifício tem um índice de perda de área de carpete nos andares de apenas 20% (escadas, elevadores, paredes, pilares, circulação, etc ), o que é considerado muito bom pelo mercado imobiliário, demonstrando também um planejamento bem executado. Quanto menor for esse índice, maior é a área para ocupação efetiva de seus ocupantes.
Localizado na Avenida Ana Costa, uma das principais vias da cidade, o edifício de 10 andares possui conceitos arquitetônicos “que transmitem sobriedade, solidez e ao mesmo tempo a proporção e a modernidade necessárias para ser inserido no contexto urbano santista de forma equilibrada”, afirma Sérgio Athié. “Os principais objetivos quando o edifício foi projetado eram os 3 níveis de pisos subterrâneos, que não existem em Santos devido à qualidade do solo, andares do tipo open space oferecendo mais interação entre os departamentos e um edifício auto-sustentado, com uma operação non-stop”, afirma Perez. Um amplo estudo da história arquitetônica da cidade foi feito para que o Palazzo inspirasse uma dupla percepção, integrando-se à paisagem urbana ao mesmo tempo em que se destaca como uma nova concepção para espaços corporativos, completa Athié.
São muitos os detalhes que diferenciam o Palazzo, começando de baixo: Foram construídos 3 subsolos destinados a estacionamento com o objetivo de gerar um número maior de vagas a colaboradores e visitantes. Como destacado pelo diretor Cecilio Perez, foi um grande desafio de engenharia, dadas características do solo conhecidas em Santos, o que demandou o uso de alta tecnologia construtiva através de execução de paredes de contenção do tipo diafragma com ficha de aproximadamente 15 metros para contribuir com a neutralização da sub-pressão do lençol freático. “Uma fundação profunda com estacas que chegam a 60 metros de profundidade e sistema especial de drenagem totalmente automatizado também foram incorporados para garantir a integridade do 3º subsolo”, destaca Ivo Wohnrath.
Na parte de cima, a inovação também segue como destaque. Um heliponto foi acomodado na cobertura para atender a demanda para este tipo de edifício, considerado AAA na classificação geral. O local está preparado para receber aeronaves de até 4,5 toneladas e homologadas para pouso e decolagem noturna.
O acesso a este heliponto é feito de forma confortável através de elevador especial que aflora no nível da plataforma por alçapão de abertura automática. Desta forma, não é necessária a construção de cabine para a chegada do carro do elevador que aparece e desaparece por este alçapão apenas quando em uso.
Também na cobertura uma sofisticada gôndola permite a limpeza da fachada, que apresenta detalhe arquitetônico em plano negativo. Essa solução permite a limpeza com reduzido volume de água.
Se a porção inferior do edifício é destaque com um estacionamento em 3 níveis de subsolo e a porção superior com um heliponto amplo e preparado para operações noturnas, as inovações não poderiam se esgotar por aí. O Palazzo está repleto de detalhes que fazem a diferença para o dia a dia dos usuários, sejam eles colaboradores, fornecedores ou clientes que frequentam o edifício e até mesmo para os visitantes. A área de circulação vertical - com escadas adequadas às exigências do Corpo de Bombeiros - possui um conjunto de modernos elevadores equipados com dispositivo de antecipação de chamada, que otimiza o fluxo de pessoas graças à capacidade inteligente do sistema para filtrar as chamadas de usuários e enviar os carros dos elevadores mais próximos e com paradas planejadas. No pavimento térreo, o controle de acesso é feito por um sistema de catracas eletrônicas do tipo guilhotina lateral, sem roletas, mais seguro e que permite maior velocidade na vazão das pessoas.
Todos os pavimentos possuem pé direito de 3 metros e contam com moderno e eficiente sistema de ar condicionado do tipo VRF (do termo em inglês, Volume Variável de Fluído Refrigerante). Este sistemafoi projetado e instalado para oferecer conforto com economia de energia elétrica, pois a central de condensação do ar fica no ático técnico do prédio (cobertura), gerando facilidade de tomadas e descargas de ar sem impactos de ruídos, assim como sem impactos na arquitetura. O sistema permite de forma inteligente monitorar as unidades evaporadoras nos ambientes, ligando e desligando automaticamente os equipamentos para obtenção de uma temperatura confortável para os usuários. Em situações onde as temperaturas baixam além dos níveis programados, os equipamentos se auto desligam para equalização da temperatura, trazendo uma significativa e comprovada redução dos consumos de energia.
Mais aspectos técnicos – Modernidade e tecnologia se destacam em muitos detalhes. Construído para receber escritórios corporativos, o edifício apresenta amplas lajes, de capacidade nominal de carga na ordem de 300Kg/m², no salão aberto. Com o intuito de unir o útil ao agradável, ou melhor, a economia de energia elétrica e o conforto dos usuários, o Palazzo foi dotado de amplas janelas para iluminação natural de todo o ambiente. Os vidros instalados na fachada são reflexivos, o que permite maior controle dos raios solares, responsáveis por elevadas cargas térmicas.
Cada andar conta com infraestrutura própria, com sanitários masculinos e femininos devidamente dimensionados (comuns e para portadores de necessidades especiais), copa de serviços e áreas técnicas privadas aos conjuntos. Piso elevado metálico de altura livre de 15 cm para distribuição de infraestruturas para atender os mais diferentes layouts de ocupação nos andares. O forro possui isolamento acústico e está disposto em placas de fibra mineral modular, com um entre forro livre de 65 cm também possibilitando fácil distribuição de infraestrutura e uma gama de possibilidades de montagem de layouts.
O monitoramento de todos os sistemas inteligentes do edifício, incluindo o sistema de ar condicionado é feito pelo CCO (Centro de Controle de Operações), uma sala de controles estrategicamente posicionada que atende em poucos segundos, através de sua equipe de seguranças e manutenção, qualquer ocorrência eventual. Do CCO são monitorados todos os sistemas de segurança, acesso, alarmes, elevadores e instalações entre outros.
Da catraca para dentro – Para acesso ao interior do edifício, usuários e visitantes precisam passar por um duplo controlede acesso através de cartão smartcard registrado com suas identificações legais e leitura de digitais. O controle aos pontos de acesso é registrado nos servidores do CCO, que igualmente são monitorados por câmeras que gravam toda a movimentação. Esses pontos de acesso estão localizados nos subsolos e em exclusivas catracas na área social do térreo.
Essas catracas, por si só, já constituem uma inovação tecnológica e arquitetônica. Estes equipamentos importados da Bélgica trazem para o Palazzo o que de mais sofisticado e elegante existe instalado pelo mundo em termos de barreira de acesso. No lugar de catracas convencionais, temos portinholas automáticas de vidro temperado, que se abrem à confirmação da digital do usuário e se fecham somente após sua passagem pelos sensores de presença dispostos ao longo de sua extensão.
Acompanhando toda a movimentação pelo prédio e seu entorno, um completo sistema de câmeras (CFTV) grava local e remotamente as imagens que em tempo real são assistidas pela equipe postada no CCO. A iluminação do prédio, interna e externa, está automatizada e programada nos servidores do CCO, o que permite um acendimento e desligamento remoto, poupando tempo e energia.
Segurança e preocupação ecológica – A nova sede da MSC dificilmente ficará no escuro. Isto porque o edifício conta com uma usina geradora de energia de 3000 Kva, capaz de suprir a demanda total de energia do edifício por até 6 horas. Para manter os geradores em funcionamento, dois tanques locais no ático, com capacidade de 600 litros cada e ainda um tanque no subsolo com capacidade de 2000 litros, interligados e comandados remotamente, dão a garantia de autonomia ainda maior, com o reabastecimento programado.
A preocupação ecológica da MSC e da Athié Wohnrath vai além, sendo também uma preocupação social. Em seu subsolo, uma usina de tratamento de esgotos foi instalada. Ela recebe as águas provenientes de primeiro uso em torneiras de lavatórios e as trata ao nível de potável, encaminhando para reservatório de reutilização em bacias sanitárias. “A atitude dos investidores nesta usina demonstra sim o olhar para a economia de água potável do planeta, mas ainda reafirma o olhar empresarial”, lembra o arquiteto Sérgio Athié, pois o investimento inicial se pagará em 18 meses, através da economia de taxas pagas ao serviço público de tratamento de águas e esgotos; a partir daí, a economia se reverte para a própria empresa.
E o conceito da racionalidade se repete na manutenção das fachadas. O edifício Palazzo conta com equipamento robotizado importado da Espanha, de alta tecnologia, que permite flexibilidade para alcançar e limpar todos os pontos da fachada, em todos os lados. Seus recuos e avanços permitem ainda que a limpeza seja realizada sem a utilização de grandes volumes de água, mais uma vez constatando a forte preocupação ambiental do projeto.
“Há muitos aspectos que confirmam que este é um projeto único. O conceito da geração de energia completamente independente para todas áreas do edifício, o condicionador de ar e elevadores inteligentes, a área de expedição de documentação, onde os documentos de transporte são entregues a nossos clientes com conforto e acesso fácil, situado ao lado do edifício, e uma área de recepção dedicada para receber e despachar as correspondências e outros produtos, evitando o fluxo de pessoas nas áreas principais são alguns dos diferenciais”, elenca Cecilio Perez.
O design começa por fora – Projetado para ser um edifício sóbrio com linhas neoclássicas – solicitação inicial da MSC – o edifício hoje valoriza ainda mais uma das principais avenidas da cidade, impondo ali uma referência histórica na linha de evolução do progresso da cidade de Santos.
A utilização de pedras naturais brasileiras reflete a valorização dada pelo projeto ao que há melhor em comparação com materiais importados. “A MSC não poupou esforços para que tivéssemos os melhores materiais, sempre de primeira linha, dentro e fora do prédio”, afirma Sérgio Athié. Nas fachadas, as pedras Mont Charmot, um limestone com origem no Ceará, pode ser comparada a materiais encontrados nas famosas jazidas da Espanha e França. Também do Ceará, o limestone Terroir Blanc aplicado nos pisos internos das áreas sociais, se assemelha técnica e esteticamente aos limestone empregados no piso da pirâmide do Louvre na França. Com o uso destas pedras, foi possível utilizar a tecnologia de fachadas ventiladas, sem o uso de massa de assentamento. Assim, as pedras foram fixadas através de insertes metálicos em aço inoxidável. Seguindo o conceito, o sistema de caixilharia em alumínio conta com vedação em vidros laminados reflexivos que atuam como filtros solares, colaborando para o bom funcionamento dos sistemas de circulação de ar e gerando economia de energia.
A sobriedade e estilo neoclássico externos foram seguidos no design de interiores. “Procuramos dar um aspecto mais contemporâneo para a obra, com pisos claros, detalhes em azul, uso de madeiras, móveis e detalhes de primeira linha com inspiração em navios de luxo, levando em consideração a área de atuação da MSC”, referindo-se ao transporte marítimo. O resultado é variado a cada andar, pois o edifício reúne áreas da empresa muito diferentes entre si como transporte, logística, financeiro, informática e as áreas administrativas, passando pela diretoria e áreas comuns, como o térreo. Athié revela que o bom gosto na escolha dos materiais e a racionalidade unem o edifício num conceito de modernidade e flexibilidade, mesmo com layouts bem diferentes de um andar para outro. É como a MSC: seja qual for o porto, sua presença, sua marca, será sempre notada, seja pelo conjunto ou pelos detalhes.
“Ao longo desses anos, mantivemos nosso foco e cultura no atendimento com qualidade a nossos clientes e parceiros. Esse conceito é aplicado em todo o nosso trabalho, tornando a MSC motivo de orgulho para seus 850 colaboradores e corpo
Diretivo”, finaliza o presidente Élber Justo.
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