|

Sergio Athié está longe de ser considerado um arquiteto de longa carreira. Pelo contrário, sua trajetória profissional foi relativamente curta, se considerarmos o tempo entre sua formação e o volume e porte de clientes corporativos que seu escritório abocanha.
O processo criativo nasce efetivamente com a concepção da ideia por parte de Sergio – o sócio, Ivo Wohnrath, está atento às questões administrativas. Para desenvolver a proposta, o escritório possui cinco equipes, compostas por arquitetos e engenheiros. Fisicamente, esse processo se assemelha a uma linha de montagem à qual não faltam profissionais de outras disciplinas. Cerca de 250 colaboradores, entre os que ficam na sede e os que circulam em campo, integram esse grande time da Athié/Wohnrath.
Além das equipes multidisciplinares, Sergio oferece aos clientes uma estrutura completa de serviços complementares – incluindo aí uma construtora. Cabe a uma das equipes de desenvolvimento, composta por arquitetos e engenheiros, tocar o projeto. Isso explica o fato de estar presente – e com grande força – em
São Paulo e no Rio de Janeiro.
Magnitude
Essa sensação de grandiosidade pode ser sentida já a partir do endereço, numa simpática praça situada ao lado da Avenida Luiz Carlos Berrini, marco de renovação arquitetônica situado na região paulistana do Brooklin. O edifício tem por vizinhos outros grandes empreendimentos e, de sua sala, é possível apreciar o skyline da cidade. Muitas salas de atendimento dão privacidade aos negócios.
A equipe de reportagem é recebida na sala de reuniões, favorecida por recursos de automação que frequentam os projetos desenvolvidos pelo escritório. “Na verdade, nossas instalações não deixam de ser um mostruário do que podemos desenvolver para o cliente”, afirma Sergio. Um exemplo: a mesa dessa sala possui controles digitais para praticamente tudo o que está dentro do espaço, das cortinas (incluindo uma versão blackout) e tomadas aos recursos audiovisuais.
Para dar conta de tanto perfeccionismo, Athié assume uma jornada de trabalho mais longa – nem sempre o dia termina quando encerram as atividades da empresa –, prática compartilhada pelos assessores diretos. “Aqui, não conseguimos trabalhar menos que dez, doze horas por dia”, exemplifica.
O pouco tempo livre disponível é consumido em viagens – “aproveito as idas ao exterior para dar uma esticada de alguns dias” – ou no encontro com amigos. “Nas poucas horas vagas, procuro mesmo é estar com eles. Não tenho tempo para atender tantos convites de compromisso do setor. Você é testemunha de que não sou de ir a eventos, curtir badalação”, arremata.
Talvez pela escassez de tempo, tudo ao redor dele parece funcionar como um relógio; cada equipe, cada atividade. Dentre os profissionais especializados está o arquiteto Alessandro Lopes, que, além de outras atribuições, faz interface com a imprensa e tornou-se um relações públicas para todas as ocasiões – de clientes a fornecedores.
Se o tempo é essencial para Sergio Athié, nada mais justo que sua “mania” de cumprir prazos. “Se percebo que um fornecedor não conseguirá me atender em tempo para entregar determinada etapa da obra, não penso duas vezes: parto para um plano B. Meu cliente não pode ser penalizado por um fornecedor sem compromisso”, dispara. Talvez derive daí a política do escritório em relação a poucos (e bons) fornecedores, com os quais Athié pode negociar o seu precioso tempo.
“Falem bem...”
A posição que a dupla Athié/Wohnrath conquistou no segmento corporativo atraiu muitas pessoas – para o bem e para o mal. Há fornecedores que reclamam por não conseguirem “furar o cerco” para apresentar seus produtos; há concorrentes que questionam suas práticas comerciais (notadamente as relacionadas aos preços cobrados do cliente e aos valores que estariam sendo pagos aos fornecedores). “Sempre achei que o ideal seria contar com poucos [fornecedores]; não gosto de variar demais”, afirma.
“O que as pessoas nem sempre compreendem é que o melhor projeto não precisa ser, necessariamente, o mais caro. Muitas vezes, o preço é um dos critérios, uma das necessidades desse cliente, que requer um layout mais enxuto pois pretende ter menos gastos com seus custos operacionais”, avalia. “É obvio que quando temos condições de elaborar um projeto personalizado, melhor; mas a grande sacada é justamente não dispor dessa facilidade e, ainda assim, fazer um bom projeto”.
O senhor das horas Sergio Athié está longe de ser uma pessoa extrovertida. “Se existe uma coisa que eu gostaria de ter é mais tempo”, pondera. Embora muito acessível, a falta de agenda o impede de frequentar os eventos sociais, permanecendo à deriva também das “fofocas do setor”. Em alguns casos, ele é o assunto, porém, Athié prefere falar menos da vida pessoal e mais do trabalho. Provocamos o assunto e a resposta vem serena, a despeito de seu conteúdo. “Se as pessoas se sentem bem falando mal dos outros por aí, isso é problema delas. Eu não tenho nada contra ninguém, e não saio por aí falando deste ou daquele. Acho que o melhor a fazer é cuidar mais de si e menos da vida alheia”, dispara.
Ficha
Arquiteto: Frank Lloyd Wright
Designer: Charles Eames
Uma cor: branco
Um prato: ovo frito
Um filme: Ladrões de Bicicleta
Um desejo: ter tempo
Por: Vanda Maria Mendonça
Imagem: Daniel Ganancia
|