Reportagem Especial
Facilities e a Indústria de Serviços Públicos |
| Pensar em gestão de Facilidades já é por si só promover um exercício de adivinhação, ou melhor: de análise e previsão de soluções futuras baseadas no perfil e nas necessidades do cliente, em sua grande maioria, privado. |
Mas o que dizer do setor público, um mercado emergente no Brasil?
Se falarmos de outros países do mundo – como Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, Espanha e França – facility management está bem desenvolvido quando voltado a este público, movimentando soma considerável: avalia-se que o mercado europeu de FM esteja em 450 bilhões de euros.
Aqui, este potencial também pode ser imenso, basta conhecer o seu perfil, demandas, como conquistar este novo cliente e a melhor forma de trabalhar lado a lado com ele, que já enxerga os pontos positivos de uma parceria público-privada. Veja o exemplo do Hospital Municipal Doutor Moysés Dutsch, mais conhecido como Hospital M’Boi Mirim, localizado na zona sul de São Paulo. O modelo terceirizado de gestão, realizado pelo Hospital Israelita Albert Eisntein, se mostra 25% mais produtivo e 10% mais barato que hospitais tradicionais, segundo reportagem da Gazeta Mercantil de março. Segundo o secretário de saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, em entrevista na época, “o índice de satisfação é sempre superior a 85%”.
Outro que está consciente quanto à revisão de procedimentos é o STF. De acordo com informações do Diário Oficial, o Supremo Tribunal Federal começou em maio a “eliminar” documentos de arquivo. O objetivo da medida: racionalizar o trabalho, economizar recursos e preservar o acervo histórico permanente. Aproximadamente duas toneladas de papel serão doadas para reciclagem. Ao todo, serão descartadas 282 caixas de documentos – o equivalente à preservação de 12 árvores de 10 anos de idade. Estima-se que estes arquivos ocupavam uma área de 60 metros quadrados no STF, em Brasília.
Conhecendo as demandas
Para o Prof. Dr. Moacyr E. A. da Graça, criador e coordenador do MBA/USP de Gerenciamento de Facilidades, as oportunidades em serviços públicos têm classificação extensa, passando por defesa, proteção ambiental, habitação e infraestrutura, saúde, educação, ordem pública e segurança, lazer, entre outros – que requerem ofertas especiais em serviços. Aí entram TI & Telecom, construção civil, gerenciamento de facilidades, processos de negócios, etc.
A lição de casa ou o desafio, no verdadeiro sentido da palavra, é transpor alguns obstáculos: há de se desenvolver competitividade na indústria de serviços públicos. “Trata-se de um grande cliente, mas que precisa se tornar um bom cliente”, explica Prof. Moacyr.
Maximizar valor ao invés de minimizar custos é outra tarefa, além de promover uma neutralidade competitiva – modelo gerencial eficiente que funcione – sem esquecer do encorajamento de parcerias, definição clara e consistente dos objetivos, desenvolvimento do relacionamento Governo e Indústria, compartilhamento de riscos, flexibilidade, criação de competência em comissionamento, redução dos custos de concorrências. É urgente amadurecer esses pontos porque às vezes se gasta 10 vezes mais com a concorrência do que com o serviço em si. O governo, muitas vezes, não consegue acompanhar a velocidade do mundo com tais licitações. No entanto, existem exemplos bem-sucedidos de implantação de empreendimentos do setor público. Conheça a seguir a futura Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais, maior obra de edifícios no Brasil, e um artigo internacional sobre Finanças em FM.
A experiência mineira
O mega-projeto, com assinatura de Oscar Niemeyer, abrigará todas as Secretarias do Governo em 270 mil metros quadrados de área construída entre o Aeroporto Tancredo Neves e a cidade de Belo Horizonte. A licitação pública, avaliada em R$ 948 milhões, tem plano-diretor de ocupação sob a responsabilidade do escritório Athié Wohnrath Arquitetos Associados e da Accenture, cujo desafio será gerenciar a integração de 350 endereços diferentes distribuídos pela cidade para este site, que deverá abrigar 16.500 servidores públicos e mais 10 mil visitantes. A licitação para serviços terceirizados tem previsão de acontecer em julho próximo (acompanhe no destaque o escopo de contratação).
“A sua magnitude é o maior desafio deste trabalho por se tratar de um projeto sem precedentes na história da arquitetura corporativa brasileira. Serão mais de 20.000 postos de trabalho. A iniciativa pioneira do Governo de concentrar toda a administração pública do estado foi norteada pela criação de ambientes de trabalho eficientes e compatíveis com as boas práticas da iniciativa privada. O plano-diretor dos 26 andares-tipo permitirá uma ocupação inteligente, flexível, lógica e padronizada, objetivando garantir uma maior facilidade de gestão da instalação, os menores custos operacionais para re-layouts e principalmente a preservação do conceito, das sinergias e das funcionalidades ao longo dos anos”, conta o arquiteto Sérgio Athié.
A gestão de Facilidades Segundo Arnaldo Renato Pires de Souza, gerente-adjunto do Projeto de Implantação e Operação da Cidade Administrativa, os objetivos e ganhos vão além: “aumento da eficiência dos serviços públicos, racionalização dos custos operacionais, modernização das relações estado-estado, estado-empresa, estado-cidadão, facilitando o acesso aos vários serviços demandados, abrigo aos órgãos da administração direta e parte da administração indireta, melhorias das condições de trabalho dos servidores públicos e indução à formação de uma nova estratégia de ocupação do setor norte da cidade”, contou ele.
O projeto será composto de três equipamentos prediais: Palácio do Governo, Auditório e Secretarias/Centro de Convivência e Apoio (este com dois prédios), que contarão com medidas importantes de sustentabilidade. Está prevista a utilização de sistema de esgoto a vácuo em todo o complexo para economia de água. Já a otimização de energia será possível graças a algumas soluções: iluminação automatizada, sensores fotosensíveis, elevadores inteligentes e fachada com solução de vidro duplo com persiana interna para redução da carga térmica. Para completar: os resíduos, com coleta seletiva e destino adequado do lixo.


estrutura preliminar da Administração chama a atenção no projeto, focando os níveis:
Operacional » Prestadores de Serviços » serão os responsáveis pela execução dos serviços comuns disponíveis na Cidade Administrativa.
Tático » Gestor de Contratos e Governo » fará a gestão direta dos contratos, registro das solicitações, controle e acompanhamento da execução dos serviços.
Estratégico » Governo (através de um diretor) » será o responsável pelo direcionamento estratégico da Cidade Administrativa e pelo relacionamento institucional com os órgãos.
Como oportunidades em Facilities, os serviços foram divididos por “famílias” nesta fase de contratação dos prestadores. Veja:
• Transporte – transporte de servidores e transporte interno.
• Alimentação – alimentação coletiva, consumo de água (bebedouro) e máquinas de conveniência.
• Escritório – mobiliário, mudança física, reprografia e impressão, gestão de documentos, administração em si e correspondência interna e externa.
• TI e Telecom – rede de dados, telefonia, microinformática (hardware e software), segurança da informação e apoio ao usuário.
• Utilities – água e esgoto e energia.
• Prefeitura – gestão de resíduos, segurança e medicina do trabalho, recepção e portaria, manutenção, gerenciamento de risco e seguros, limpeza/jardinagem/controle de pragas e estacionamento.
Mas o modelo operacional do projeto conta ainda com estruturas de suporte, a exemplo de uma assessoria jurídica, aspectos sustentáveis, políticas e procedimentos, o Governo e o EGP (escritório de gerenciamento de projetos).
Indústria de Serviço Público
“Todo e qualquer empreendimento do setor privado ou do terceiro setor que ofereça serviços públicos com envolvimento do governo ou para o governo propriamente dito” Moacyr E. A. da Graça
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