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Cidade Administrativa de Minas Gerais inaugura nova concepção de obra pública no Brasil



Cinco edificações principais – sede do governo, dois prédios de secretarias de Estado, centro de convivência e auditório – além de unidades de apoio para equipamentos, estacionamentos e dois lagos que somam 804 mil metros quadrados de área total e mais de 265 mil metros quadrados de área construída. Este é um rápido resumo da Cidade Administrativa de Minas Gerais, uma obra cujos números impressionam, mas que vai muito além deles.
O projeto, que integrará toda a administração do estado, valoriza conceitos como funcionalidade e desenvolvimento sustentável. Os edifícios terão sistemas inteligentes para economizar recursos como, por exemplo, a energia elétrica e o ar-condicionado, que serão controlados por um sistema central que evita que ambientes desocupados sejam refrigerados ou recebam iluminação desnecessariamente.
O esgotamento sanitário a vácuo é outro item que possibilitará uma redução de 90% do consumo de água em relação à descarga convencional, além de uma rede extra de água que permitirá que os prédios utilizem água reciclada. O projeto também prevê a revitalização de espaços que se encontram degradados atualmente e a recuperação da vegetação.
Principal entusiasta da obra, o governador Aécio Neves é um dos principais divulgadores dos benefícios que a Cidade Administrativa trará para o estado: “Além de redirecionar o crescimento de Belo Horizonte para esta nova região, a Cidade Administrativa vai desonerar o Estado dos aluguéis pagos atualmente. São ganhos e conquistas que extrapolam esse mandato, que são definitivos e estarão aqui nos próximos 50 anos”, afirmou.
A maioria dos servidores estaduais trabalha hoje na região central de Belo Horizonte, próximo da Praça da Liberdade, onde está o atual Palácio do Governo. A região sofre com trânsito carregado, ambulantes e sujeira. Quando as repartições públicas saírem de lá, os palácios da Praça da Liberdade serão convertidos em um centro cultural, ajudando a recuperar a zona central da cidade. Uma ligação rápida com a Cidade Administrativa pela Linha Verde, uma via expressa construída na gestão Aécio Neves que interliga o centro ao Aeroporto de Confins, na área norte, encurtará distâncias e poderá atrair investidores para uma área industrial que está sendo criada lá. “A Cidade Administrativa é uma obra que resume o princípio que norteou minha gestão: conferir eficiência e qualidade à administração pública e, ao mesmo tempo, fazer com que ela seja indutora de desenvolvimento econômico e social”.
 
Um projeto que tem história
 
Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte na década de 40, encomendou ao arquiteto Oscar Niemeyer – ainda pouco conhecido à época – um projeto que pudesse estimular o desenvolvimento de Belo Horizonte na área norte da cidade, região até então pouco habitada. Niemeyer projetou um conjunto de intervenções junto à Lagoa da Pampulha com um museu (originalmente um cassino), a igreja de São Francisco de Assis (referência arquitetônica na cidade), o iate Clube, além de um salão de baile. Nos anos 50, com juscelino já presidente eleito, Niemeyer foi novamente contratado para um projeto que, guardadas as proporções, também visava estimular o desenvolvimento numa área de baixa densidade populacional: a construção de Brasília, com a conseqüente mudança da capital brasileira para a região central do País.
 
Quase setenta anos depois, com o arquiteto Oscar Niemeyer em atividade, o governador Aécio Neves retomou o projeto de Juscelino de levar desenvolvimento à região norte da capital mineira. A partir de 2010, a Cidade Administrativa Tancredo Neves (nome oficial), próxima do Aeroporto de Confins, abrigará a nova sede do governo mineiro, em projeto mais uma vez assinado pelo mestre do concreto armado.
 
Dos cinco prédios previstos, dois deles alocarão 16.000 funcionários públicos que hoje dão expediente em 53 endereços diferentes espalhados pela capital. No terceiro haverá um centro de convivência, equipado com restaurantes, lojas e bancos. O quarto edifício é um auditório, cujas linhas remetem às da igreja São Francisco de Assis, na Pampulha. Com capacidade para 490 pessoas, esse prédio receberá o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente Juscelino Kubitschek. No quinto edifício, o Palácio Tiradentes, ficará o gabinete do governador, vice-governador, secretaria de governo, gabinete militar, cerimonial, assessoria de imprensa, biblioteca e assessores diretos do governador. É caracterizado por um heliporto e pavimentos com arcos, numa mistura de concreto armado e vidro.
 
Um grande diferencial deste edifício é que seus quatro andares se mantêm suspensos por uma estrutura de concreto vazada, o que fará com que o térreo tenha o maior vão livre de concreto do mundo, com 147 metros de comprimento, projeto estrutural do engenheiro José Carlos Sussekind, parceiro de Niemeyer há muitos anos. Sussekind destacou que o objetivo foi “simplificar, construir uma obra inteligente, com um menor número de prédios, com vãos curtos, garantindo um custo menor”. Já o prédio do Palácio Tiradentes, “revela o avanço da arquitetura, com um mínimo de apoio e o máximo vão possível, representando a serena grandeza de Minas Gerais”, afirmou.
 
Um estacionamento para 5.000 veículos, lagos artificiais e muito verde serão possíveis graças à grande verticalização da obra, cujas edificações ocuparão apenas cerca de 10% de todo o terreno da área da Cidade Administrativa. “É preciso haver entusiasmo e a certeza de que essa obra vai ser importante para Belo Horizonte para tudo correr tão bem assim”, afirmou Niemeyer, 102 anos, em sua primeira visita in loco. Importância que está sendo levada a sério pelas empresas responsáveis pela construção, gerenciamento e obras de todo o complexo.
 
Mega operação logística
 
Por sua complexidade e abrangência, a cidade administrativa transformou-se num imenso canteiro de obras, abrigando um grande número de empresas, incluindo construtoras, de engenharia especializada e consultoria ambiental, dentre outras (veja abaixo).
 
A Athié Wohnrath foi contratada através de licitação para o gerenciamento de implantação dos espaços corporativos e execução das adaptações civis e de infraestrutura em geral, necessárias para a implementação dos 164.000m² de escritórios da cidade administrativa de Minas gerais, de modo a garantir a finalização das obras, a operacionalização dos espaços e a ocupação de aproximadamente 16.000 usuários dentro de um cronograma agressivo e escalonado ao longo do ano de 2010.
 
Na prática, caberá à empresa fornecer toda a inteligência, gestão integrada, plano logístico, além de serviços e materiais, como cabos elétricos, dados, voz, adaptações hidráulicas e de instalações em geral e também fornecimento e instalação de sistemas especiais como de combate a gás FM-200 e dos sistemas de multimídia em salas de reunião.
 
“por infraestrutura deve-se entender a disponibilização de espaços de trabalho dotados de elementos que garantam conforto e bem-estar aos servidores”, explicou a secretária de estado de planejamento e gestão, Renata Vilhena
 
Obras aceleradas no Auditório Juscelino Kubitschek, que terá capacidade para 490 pessoas
Atuando no local desde novembro do ano passado, os serviços da Athié Wohnrath prosseguirão ao longo deste ano até a mudança do último usuário.
 
O principal desafio da Athié Wohnrath nesse processo é realizar as atividades de implementação do layout e instalação de mobílias em paralelo à finalização da obra em si, por parte das construtoras. “esta coexistência implica numa logística complexa nos edifícios, envolvendo diversas empresas, centenas de operários e o gerenciamento diário de um cronograma bastante dinâmico de execução da obra”, afirmou Marilene Bretas, coordenadora de implantação da cidade administrativa. Além disso, o prazo de execução das atividades também se constitui em um grande desafio, já que a Athié Wohnrath tem como meta a entrega de um andar de 5.500 m2 de área em apenas 45 dias de atuação, estando no escopo dessa atuação, por andar, a montagem de cerca aproximadamente 700 postos de trabalho e realização de todas as adaptações nos sistemas pré-existentes.
 
Tudo num só lugar
 
Com a administração pública presente num só local, uma das principais ineficiências da estrutura física atual do governo – até então espalhado em 53 locais diferentes, alguns deles antigos e que não oferecem mais condições adequadas ao bom exercício de suas atividades profissionais – serão sanadas.a concepção arquitetônica definida para as áreas de trabalho da cidade administrativa foi estabelecida a partir de um plano diretor baseado em três pilares: infraestrutura, padronização e integração.
 
“por infraestrutura deve-se entender a disponibilização de espaços de trabalho dotados de elementos que garantam conforto e bem-estar aos servidores”, disse a secretária de estado de planejamento e gestão, Renata Vilhena.
 
Alguns aspectos chamam atenção:
 
Mobiliário de acordo com a Nr 17 do Ministério do trabalho e emprego, cujos parâmetros permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança e desempenho eficientes;
 
Sistemas de iluminação e de ar condicionado com sensores automáticos de presença, permitindo o equilíbrio de temperatura e luminosidade dos ambientes e equipamentos de microinformática e de impressão dentro dos padrões atuais de mercado. Tecnologia não será problema: “a cidade administrativa terá toda a infraestrutura necessária para possibilitar o acesso à Web 2.0. A abertura será ampla e irrestrita. teremos, no entanto, um monitoramento para saber quanto tempo o servidor ficou logado, como já ocorre atualmente”, explicou a secretária de estado Renata Vilhena.
 
Destaque também para a presença de dois refeitórios em cada andar, equipados com balcões refrigerados e fornos microondas para o acondicionamento e preparo de refeições prontas, além de mesas e cadeiras. os refeitórios terão capacidade para cerca de 6000 refeições diárias. Purificadores de água, máquinas de bebidas geladas e de lanches rápidos e máquinas de bebidas quentes – que disponibilizarão gratuitamente café – e comercializarão outros tipos de bebidas similares também compõem o mix da estrutura à disposição de servidores e visitantes.
 
Para se ter uma idéia da dimensão da obra, são cerca de 59 mil itens relacionados a mobiliário licitados em oito grupos temáticos, que serão fornecidos por 13 empresas que venceram os diversos lotes licitados. O contrato garante o fornecimento e a instalação completa do mobiliário em dois anos e a prestação do serviço de garantia e assistência técnica por cinco anos de itens como armários, postos de trabalho, mesas de reunião, arquivos deslizantes, cadeiras, itens de marcenaria, sofás, mesas de apoio e divisórias removíveis.
 
Com a imensa concentração de servidores num só lugar, a padronização tornou-se um aspecto essencial para garantir as mesmas condições de trabalho e estrutura a todos os servidores que atuarão na Cidade Administrativa. Na prática, todos os elementos citados estarão presentes em todos os andares ocupados por órgãos e entidades do Governo. Assim, a integração dos servidores permitirá a colaboração e a fácil comunicação entre os profissionais do Governo de Minas.
 
Ocupação de interiores
 
Os 26 andares da Cidade Administrativa, divididos nas duas torres, possuem aproximadamente 5.500 m2 de área de carpete cada, em forma de arco e segmentados em duas partes pelo core central onde estão o hall de elevadores, sanitários e facilidades técnicas em geral.
A sePLAG teve a incumbência de elaborar o plano diretor de ocupação dos 164.000 m² de escritórios para os 43 órgãos e secretarias num total de 16.000 funcionários. este plano definiu uma lógica de ocupação espacial estruturadora baseada nas melhores práticas do mercado nacional e delineada pelos princípios de flexibilidade, para conferir fácil assimilação das mudanças e adaptações naturais das estruturas organizacionais; padronização e modularidade, com postos de trabalho padronizados para todos os níveis e cargos com dimensões equivalentes e modulares entre si; zoneamento, com a pré-definição dos locais de uso comum, uso compartilhado, espaços de apoio, pool de reuniões, salas fechadas e ambientes de trabalho abertos; maximização do aproveitamento da iluminação natural, com a criação de salas fechadas com frentes de vidro em locais estratégicos e centrais, liberando ao máximo as fachadas; maximização da sinergia, utilizando postos de trabalho do tipo open office com biombos de 120 cm de altura média e dimensões equivalentes na proporção 1, 2, 4 e 6; fácil circulação interna, com delimitação clara das circulações primárias e secundárias, facilitando o trânsito e evitando uma ocupação labiríntica e confusa e a minimização de desperdícios, a partir da configuração estrutural e formato curvo da laje, acomodou de 600 a 700 postos de trabalho por andar, incrementando a eficiência de ocupação.
 
Os ambientes de trabalho deveriam ser funcionais, práticos e sem ostentações. Assim, definiu-se um padrão de acabamento neutro, com o carpete pigmentado em tons de cinza, estruturas metálicas de divisórias e biombos, ambos na cor prata fosco e contraponto com os acabamentos amadeirados dos tampos; tom claro nos espaços abertos de trabalho e tom escuro nos gabinetes e salas fechadas complementam os ambientes. Os assentos terão revestimento na cor preta em todos os níveis hierárquicos e ambientes.
Toda esta eficiência irá gerar grande economia para os cofres públicos. Pronta e em pleno funcionamento, estima-se que a Cidade Administrativa reduzirá os custos fixos do governo em pelo menos R$ 85 milhões/ano, já inclusos os gastos com aluguéis de prédios ocupados por órgãos públicos, gastos com telefonia, telecomunicações e gestão de serviços como transporte de cargas e pessoas, que serão facilitados com todos no mesmo complexo.
 
Obra inteligente é obra sustentável
 
A concepção física da Cidade Administrativa possui diversos componentes que buscam dotar o complexo de aspectos sustentáveis, poupando o meio ambiente. Destaque para elementos construtivos que propiciam redução do consumo de energia, como fachadas com solução de vidro duplo e persianas internas. Além deles, elevadores inteligentes serão usados em todo o complexo, cuja “inteligência” está no fato de o usuário indicar o andar ainda fora do veículo, cabendo ao sistema determinar qual elevador irá ao andar desejado com mais rapidez. “tal mecanismo, além de otimizar o uso, reduzindo o número de viagens, também contribui para a organização e diminuição de filas”,destacou Renata Vilhena.
O projeto prevê ainda a implantação de moderno sistema de esgoto a vácuo já citado no início, que reduzirá o consumo de água em 90% em relação à descarga convencional, e a coleta seletiva de lixo, de acordo com as diretrizes do programa ambientação, iniciativa de comunicação e educação socioambiental criada em 2004 pelo Governo do estado e que, atualmente, já é aplicada em mais de 30 instituições governamentais.
 
Números
 
Iniciada há dois anos, o objetivo agora é terminar todo o complexo até o final de 2010, quando o atual governador deixará o posto. Até lá, serão quase R$ 1,4 bilhão investidos, sendo que as obras civis custarão cerca de R$ 1,2 bilhão e os móveis e equipamentos, R$ 200 milhões. Os recursos utilizados vieram da Companhia de desenvolvimento econômico de Minas Gerais (Codemig), uma estatal quer recebe royalties das mineradoras e que, por lei, só pode gastar seus recursos em obras de infraestrutura.
 
Pelo cronograma oficial, o palácio, o auditório e primeiros andares das torres 1 e 2 já estarão prontos no início de 2010. Os demais prédios serão ocupados gradativamente até o final do ano.
 
Empresas que estão fazendo a cidade administrativa Minas Gerais
 
Lote 1
 
Engloba a construção da sede do Governo, auditório, praça cívica e serviços de infra-estrutura (terraplenagem, drenagem, pavimentação ,etc.), está a cargo do consórcio formado pelas construtoras:
  • Construções e Comércio Camargo Correa S/A
  • Santa Bárbara Engenharia S/A
  • Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A
 
Lote 2
 
Formado por um dos prédios das secretarias, será construído pelo consórcio que reúne as seguintes empresas:
  • Construtora Norberto Odebrecht S/A
  • Construtora OAS LTDA
  • Construtora Queiroz Galvão S/A
 
Lote 3
 
Compreende o segundo prédio das secretarias e o centro de convivência e está a cargo das empresas:
  • Construtora Andrade Gutierrez S/A
  • Via Engenharia S/A
  • Construtora Barbosa Mello S/A

Fiscalização e Gerenciamento das obras
  • LEME Engenharia

Consultoria Ambiental
  • LUME Consultoria Ambiental

Empresas projetistas
  • Arquitetura Urbanismo Oscar Niemeyer S/C Ltda.
  • Casuarina Consultoria Ltda.
  • Engesolo Engenharia Ltda.

Gerenciamento de implantação e adequações internas
  • Athié Wohnrath (AW construções)

Ficha técnica
 
Arquivos Deslizantes • Caviglia e Giroflex Unidade de Arquivamento
 
Ar Condicionado • Ambient Air –Carrier
 
Assentos • Alberflex e Giroflex
 
Cabeamento • Furukawa
 
Carpetes • Beltech-Shaw e Giroflex Unidade de Pisos e Revestimentos – Desso
 
Divisórias • Abatex, Bradiv, Div Design
 
Luminárias • Itaim
 
Marcenaria • Marcenaria Sular
 
Mobiliário Decorativo • Giroflex-Forma
 
Mobiliário para Refeitório • Marcenaria Sular
 
Piso Elevado • Giroflex Unidade de Pisos e Revestimentos – Tate
 
Postos de Trabalho • Burocenter e Riccó
 
Projeto de Elétrica • Lumens Engenharia
Créditos: Alexandre Negrini Turina
 

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