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Incorporando a iluminação ao conceito

Incorporando a iluminação ao conceito

Edu Vaccari

O conceito de um projeto é constituído por vários elementos e recursos a fim de que os espaços possam refletir a atmosfera desejada. O uso da iluminação sem dúvida é um destes elementos. Ela assume um papel importantíssimo neste contexto pois é através dela que transmitimos diferentes experiências, atribuímos alguma função específica como estímulo ao foco, colaboração ou inovação, damos ao local características que remetem ao trabalho ou a interação social, entre outras.

Falando um pouco sobre experiências, todos nós já fomos impactados por algum ambiente, seja de forma positiva seja de forma negativa, sem saber identificar exatamente o motivo desta percepção. Acredito que grande parcela desta percepção seja atribuída a iluminação. Para exemplificar, imagine uma galeria de arte. Agora, mentalize esta galeria onde a iluminação é focada nas obras de arte, dando destaque para as peças e as fortalecendo. A iluminação das circulações possui menor intensidade para que as pessoas possam se deslocar com segurança. Feito isso, imagine a mesma galeria de arte sendo iluminada de forma difusa e sem destaques. A percepção do espaço se torna totalmente diferente. No caso onde a galeria é iluminada de forma a valorizar as obras, criando o jogo de luz e sombras, é possível criar uma atmosfera que possibilita a direcionar o olhar intuitivamente ao que realmente importa a ser visto, levando as pessoas a terem uma experiência impactante e positiva.

Podemos adotar o mesmo raciocínio para as áreas de escritório, porém com enfoque um pouco diferente. Através da aplicação de recursos de iluminação podemos, em conjunto com elementos arquitetônicos como formas, móveis e cores, tornar um ambiente adequado para cada tipo de função a que ele se propõe. Uma área destinada ao trabalho focado, a iluminação tende a ser mais intensa, difusa e com temperatura de cor predominante branca para que o cérebro fique desperto e esteja apto a manter o foco. Numa área de colaboração e/ou inovação, o uso de sistemas de iluminação com temperatura de cor mais quente e que seja possível tirar partido do jogo de luz e sombras, torna o espaço mais informal incentivando a criatividade e colaboração. Outro recurso de iluminação aplicável para este tipo de espaço é a possibilitar mais de um cenário de composição de luzes, ou seja, criar um conjunto de iluminação mais difusa para atividades que demandem maior concentração e outro conjunto de iluminação mais cênica que contribui para trabalhos colaborativos e inovadores. Ambos podem ser acionados de forma independente para a criação dos cenários, de acordo com a característica da atividade a ser desenvolvida. Também não podemos esquecer que existem normas específicas de iluminação para cada tipo de ambiente .

Quando tratamos de áreas de trabalho e de áreas de interação social, os critérios são semelhantes aos citados acima, porém com nuances diferentes. Podemos dizer que a área de trabalho é composta por diferentes sistemas de iluminação que contribuem para o tipo de trabalho a ser desenvolvido, enquanto as áreas de interação social podem e devem apresentar características diferentes das áreas de trabalho. Isso é recomendado para que haja realmente a percepção de mudança de ambiente para que o cérebro entenda de que se trata de momentos diferentes. Buscamos um clima mais amistoso, que remeta a nossa casa, que traga o sentimento de acolhimento e que incentive as pessoas a interagirem de forma mais informal e espontânea. Tirar partido das sobras como formas nestes espaços são muito bem-vindos.

Como podemos ver, a iluminação tem um papel muito importante na arquitetura e pode mudar nossa percepção do ambiente . Seu papel vai muito além de efeitos estéticos e termos simplesmente luz nos espaços. Devemos tratá-la como aliada para potencializar o uso dos ambientes de acordo com suas funções.

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