Entendendo o Design Generativo…

Data

6 de outubro de 2018

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design design generativo inovação

Design Generativo entra em pauta neste artigo do Head de Inovação da Athié Wohnrath, Paulo Homem de Mello. No texto, Paulo aborda como as novas tecnologias otimizam o processo de criação e a capacidade criativa do arquiteto, otimizando tarefas repetitivas na fase de conceituação e desenvolvimento, como também no projeto executivo.

A geração de um projeto arquitetônico não é linear e sequencial, mas sim, marcada por uma lógica que podemos entender como de “aproximações sucessivas”, onde cada variável é analisada, introduzida e representada simultaneamente ao longo do desenvolvimento do projeto. É uma lógica assimétrica, muitas vezes aleatória e altamente dependente da capacidade e experiência do profissional e de seus recursos. Esta natureza requer inúmeros ciclos de “acomodação”, ajustes e revisões para que um resultado satisfatório que concilie todas as variáveis seja alcançado. E é aqui que o design generativo pode ser mais útil.

Os patamares alcançados de capacidade computacional têm possibilitado a criação de softwares que pretendem de uma só vez sintetizar, agilizar e parametrizar boa parte dos aspectos objetivos quantificáveis do processo de criação. Estas novas tecnologias têm recebido o nome de design generativo e não somente podem ajudar arquitetos a otimizarem as tarefas repetitivas na fase de conceituação e desenvolvimento, como também automatizar a geração do projeto executivo. Agregando ao arquiteto agilidade e ferramentas para testar soluções e “encurtar” o caminho até uma solução satisfatória, mas, principalmente, elevar sua capacidade criativa e foco no entendimento das variáveis subjetivas e mais complexas.

Podemos dividir as variáveis de projeto em dois tipos, tangíveis e intangíveis. Ambas precisam ser profundamente compreendidas e conciliadas pelo arquiteto. Mas este processo é essencialmente conciliatório. Uma metáfora interessante é a da rocha bruta sem brilho que precisa ser gradativamente lapidada, ciclo após ciclo, transformada até se tornar um diamante brilhante e valioso. E que ao final do processo é harmônica de todos os pontos de vista equilibrando todas as variáveis envolvidas.

Mas voltando às variáveis, pode-se definir que as tangíveis são essencialmente características físicas, seja do terreno ou espaço, suas dimensões, geometria, proporções, tipologia, acessos, estrutura, materiais, insolação, vizinhos, vistas, restrições de uso, soluções técnicas, normas aplicáveis e ergonomia, chegando até ao programa de necessidades, bem como os custos das soluções e respectivos prazos de implementação. Já as variáveis intangíveis são mais subjetivas e vão desde referências arquitetônicas, repertório, aspectos sócio-econômico-ambientais, cultura, conhecimento do mercado chegando até a identidade e valores do usuário, suas expectativas e preferências.

Se acreditarmos que o maior valor do arquiteto no século XXI em plena Revolução digital estará cada vez mais na sua capacidade de criação e integração, veremos estas novas tecnologias como peças-chave para continuarmos evoluindo e ampliando os limites da criação e transformação do ambiente construído. Como bem definiu o arquiteto Bjorn Erik, do escritório LINK  da Escandinávia  “… o design generativo tem a função de maximizar a criatividade do arquiteto para que consiga focar ainda mais no design”.

 

Conecte-se com Paulo Homem de Mello, Head de Inovação da Athié Wohnrath.